Cordas vermelhas

Medo.
De falhar,
de cantar,
de saltar.

Alguma vez sentiste a falta de ter poder de eliminar qualquer um? Fulminá-los a todos os que se julgam altos e grandes, os que te ignoram e irritam por fazerem-o.

Medo.
De sentir,
de rejeitar,
de amar.

Pensa em cada dia que viveste, assim como cada segundo. Consegues? Eu consigo. Talvez seja mesmo esse o problema, pois raramente me esqueço e/ou surpreendo.

Medo.
De brincar,
de esquecer,
de mandar tudo para o canto mais esquecido do planeta mais longínquo e não-descoberto.

Alguma vez quiseste ter as mãos sujas de sangue, e não o fazeres por consciência de outrem?

Medo.
De tudo,
de nada,
da vida,
da não-vida,
da morte, quer seja tua, quer seja minha.

Será que cada vez que tento tenho de te ter?

Medo.
De ser-te,
de ser-me,
de ser Lilith,
ou alguma personagem numa caverna.

O teu corpo consa-se com a luz? A tua ignorância pouco te chateia, pois todos a amam.

Medo.
De portas,
de paredes,
de prisões.

À tua frente existem mais que faces disformes e degradantes? Não?
A tua curiosa mania de ser ignorado traz-te benefícios?

Medo.
De não conseguir esquecer,
de não esquecer o medo,
de te esquecer,
de me esquecer.

Imaginas que a cada palavra tua, o mundo fica exactamente na mesma, do que se tivesses permanecido calado?

Medo.

A dor nas tuas mãos torna-te feliz? As palavras que carregas alguma vez se calaram?


Medo.
De cantar,
assobiar,
ou de me calar.

Já te sentiste doido, e quereres mudar? Já tentaste mandar o teu melhor amigo para a cadeia por um crime que tu próprio cometeste?

Medo.
De ser livre,
de chorar,
de abrir um armário,
de estragar o que construíram.

A minha cabeça rodopia e rebenta.
e eu gosto.

Medo.
De não de amar
e de te amar.

Já pensaste que cada palavra tua é para mim um desejo de morte?

Rio-me.
Afinal não é medo, mas apenas a minha forma de vida.

5 comentários:

Anónimo disse...

Já pensaste que cada palavra tua é para mim um desejo de morte?
medo de viver marcado com o medo de morrer...

Maharet disse...

podias identificar-te, por favor?

rosa disse...

e mesmo que seja medo... sempre achei o medo muito criador porque te deixa alerta e porque mostra que ha coisas que te são mesmo preciosas.

Anónimo disse...

Sim, já o disse!
Ando a ler o teu blog!
És de uma sensibilidade abominante!
Sim abominante!
Fazes-me chorar!
Não percebo, porque tanta dor... Não percebo!
Sim, como queres que eu te perceba, se nem eu me percebo a mim próprio??!
Eu sei... Eu também sou assim...
Mas eu raramente escrevo sobre o medo, prefiro a coragem!
É a coragem que eu mais valorizo, claro, em detrimento do medo. Sim, tenho coragem, tenho tanta coragem como sensibilidade. E depois?
Nunca viste um homem chorar???

Anónimo disse...

Pois é...
No meio do meu comentário raivoso, até me esquecia de dizer quem sou...
Uma vez mais:
Sei-la-se-e