A Aparição

O sol fugiu-me. Vagueio por estas ruas lisboetas, em que a única presença é a luz ensurdecedora dos candeiros mal acesos. O constante ressonar da revolução industrial ateima em esmagar os sentimentos intelectuados, os que ainda persistem na minha sombra coberta de cinza, destruída por chuvas dissolventes.
Onde de dia se veem quadrados reluzentes e ignorados, de noite vejo amigos e promessas vazias. Cada pedra é um polegar sanguífero e irónico, erecto perante a minha incompetência. O meu sorriso impulsivo renega toda esta imaginação inútil.

- Calma, são apenas sombras que assassinam todos os nossos desejos e ambições. Fazem-nos tomar conta da nossa pequena (grande) importância.

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