Pai,

pega-me pelo braço como quem castiga uma criança, diz que nunca fui aquilo que querias, diz que me tornei uma aberração.E tudo por causa da minha necessidade de me viciar nas drogas da preguiça e do comodismo.
Desliza pelo meu corpo uma lâmina que me corte o corpo à profundidade da alma; faz-me ver que preciso de um rumo, que o tenho de encontrar em vez de me rotinizar. Mostra-me que sou capaz de ser, de te ser, de ser o mundo que sempre quis dominar a brincar.Puxa-me pelas orelhas como às crianças e diz-me o que deva fazer,ensina-me a pescar. Dá-me liberdade de criar, injecta-me nas veias esse néctar a que chamam de talento, de génio. Faz-me ser grande, faz com que ensinem às crianças aquilo que uma vez eu disse ou escrevi, faz-me inventar algo nesta imensidão de gente que vive a morrer.
Porque sem isso, Pai, nunca saberei rir.

3 comentários:

Anónimo disse...

Ter a consciência de que necessitas desse "puxão de orelhas" é o primeiro passo para que sejas o que queres. Gostei de ler.

Miguel disse...

já é valioso reconheceres isso, pelo menos.. agora o resto virá com o tempo, basta acreditar que consegues.. foi como eu fiz.

um beijo *

Anónimo disse...

Pai.