Curta-metragem

Os teus traços parecem ainda mais perfeitos à luz do desejo. Fecho os olhos e aperto-te contra mim, na necessidade de sermos unos de uma vez por todas. Lutamos contra a natureza e deixamos que uma gota de suor nos percorra o tronco. Olho-te de maneira estranha, olhas-me da mesma forma - já não somos crianças, já não nos vemos como tal. Os beijos salgados já não são inocentes, e percorremos o corpo um do outro na tentativa de beber o néctar que até agora tanto nos uniu. O desejo apodera-se de nós, deixamos de ser apaixonados para sermos carnalmente atraentes um ao outro. Fundimo-nos em função da carne, olhamo-nos em função do amor, e deixamos de o sentir por momentos para o tentarmos fazer. Os lençóis são àsperos ao toque da tua pele, o ar que respiro é amargo aos teus beijos suculentos e desejosos, o pensamento é seco aos nossos corpos húmidos, e o odor a luxúria deixa de nos ser estranho.

1 comentário:

Anónimo disse...

Achei este texto bastante evocativo. Gostei. Com mais tempo dedicarei outra atenção ao resto do teu blog.