Disponho as palavras de modo diferente e reinvento a minha já inerte maneira de escrever. Vejo-me de fora sem a dependência do meu corpo às minhas doenças: como se não me fosse; sem as feridas em grito. Critico-me sem mágoa. Escrevo com a caneta sem a minha tinta em constante indecisão.
Nesta visão de fora que me constrói, crio finalmente uma ideia real do que transpareço. Mas (re)reflectir-me na retina recria também uma nova alteração no que pareço. O processo é anulado, falha-se a tentativa de ter uma visão fugaz e isenta desde eu que ando a tentar descobrir( e talvez gostar): o meu corpo insiste em ser-me, em aperceber-se de que eu o observo. E aí, baixo a cabeça e abstraio-me, até voltar a reconhecer a minha voz.
Nesta visão de fora que me constrói, crio finalmente uma ideia real do que transpareço. Mas (re)reflectir-me na retina recria também uma nova alteração no que pareço. O processo é anulado, falha-se a tentativa de ter uma visão fugaz e isenta desde eu que ando a tentar descobrir( e talvez gostar): o meu corpo insiste em ser-me, em aperceber-se de que eu o observo. E aí, baixo a cabeça e abstraio-me, até voltar a reconhecer a minha voz.
1 comentário:
é difícil ver-mo-nos de fora. aliás, eu diria *quase* impossível. eu não sei como o fazer, mas pode ser que alguém, algures saiba. (por exemplo o Professor Karamba.. ;) lol)
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