Tenho pesadelos como as crianças;
e não me sei rir deles, como as crianças.
Aconchego-me no teu corpo e peço protecção, como as crianças.
Evito chorar com medo de piorar, como fazia em criança.
Mas cresci, como as crianças.
E ainda rebolo na cama sem sono,
mas já não chamo pela mãe.
Já tenho mais anos-luz que dedos nas mãos,
sei escrever há tempo de mais para me lembrar de quando aprendi.
(como gostava me recordar de tentar pegar num lápis com o desajeito que me é intrínseco)
O cabelo escureceu,
tornei-me num pseudo-camaleão armado em poeta.
Já me sinto responsável - e já me doem as costas por isso.
2 comentários:
todos temos que nos armar em qualquer coisa; eu aqui estava-me a tentar armar que conseguia escrever um comentario de jeito :)
lamentável - eu em criança ainda sonhava...
Amei este teu poema...
Mas não podemos permanecer sempre crianças... Eu perdi o amor da minha vida porque fui uma.
Há alturas que devemos crescer e amadurecer.
Umpoema que gostei e que entrou no meu coração intrinsecamente e é inerente a ele.
Artur Rebelo
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