(Se possível, ao som de "The Outsider - A Perfect Circle")
Corro o vidro de modo a poder sentir o ar da madrugada na face. E como é cortante a forma subtil que as naturezas encontram para nos fazer sentir dentro de um filme. O gelo que seca a pele da minha face rosada pede-me um fechar de olhos no intuito de absorver o momento.
Concedo o seu desejo, e sinto o calor das baixas temperaturas, embrulhada num manto de sonolência cada vez mais cómodo. Se lhes pudesse tocar as gargalhadas inocentes e puras, que soltam sem dar conta, talvez o toque se assemelhasse a veludo amarrotado.
A viagem ainda não tinha terminado. O corpo de alguns pedia néctar, mas eu preferi contemplar a pré-histórica roda enquadrada num desenvolvimento avassalador, cortado aos poucos pelo vento que apenas eu conseguia ver.
Deixei-me adormecer no aconchego de um amigo-revelação. E apesar de ter sido o seu ferveroso cheiro a adormecer-me, a minha mente estimulava-se com o perfume de outro - a quem eu realmente pertenço. E não há nada mais atordoante que adormecer na velocidade do tempo, com o perigo à espreita em qualquer faixa de rodagem contrária ao nosso caminho, mas nada mais agradável que acordar com uma voz sorridente, envolta num regresso a casa.
Penetro a chave minha fechadura, retiro o diário da minha gaveta, recolho-me, penso em ti por segundos. Apago-me por breves horas.
(Apenas lamento o facto de a minha tosca transcrição de emoções ser cega. Contudo, é agradável saber que nem tudo o que se vive pode ser intelectuado.)
A viagem ainda não tinha terminado. O corpo de alguns pedia néctar, mas eu preferi contemplar a pré-histórica roda enquadrada num desenvolvimento avassalador, cortado aos poucos pelo vento que apenas eu conseguia ver.
Deixei-me adormecer no aconchego de um amigo-revelação. E apesar de ter sido o seu ferveroso cheiro a adormecer-me, a minha mente estimulava-se com o perfume de outro - a quem eu realmente pertenço. E não há nada mais atordoante que adormecer na velocidade do tempo, com o perigo à espreita em qualquer faixa de rodagem contrária ao nosso caminho, mas nada mais agradável que acordar com uma voz sorridente, envolta num regresso a casa.
Penetro a chave minha fechadura, retiro o diário da minha gaveta, recolho-me, penso em ti por segundos. Apago-me por breves horas.
(Apenas lamento o facto de a minha tosca transcrição de emoções ser cega. Contudo, é agradável saber que nem tudo o que se vive pode ser intelectuado.)
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