Gosto de sentir a cor das paredes quando o céu está azul. Gosto ainda mais da ausência das primeiras na presença do segundo. Quando as paredes já me cumprimentavam, numa tarde anoitecida, pegámos na coragem fraca, fugimos pela janela do reflexo e saltámos para o patamar proibido- branco, inseguro, gratificante. O fumo da ausência de luz real apagava todas as que se moviam lá em baixo. Os carros com trabalhadores carregados de pressa, as ruas iluminadas pelo alcatrão efémero, o combóio ajudante do ambiente seco. E lá no cimo, nada mais que o negro infinito. Que senti? Poder de me mostrar verdadeira, como faço agora, contigo. O grande abraço que o negro superior me havia subtilmente oferecido foi acolhido pela luz de um olhar claro e tentador, que me provocou no primeiro segundo. Quero assumir-te ao negro ausente, ficar-te e ser-te quando me quiseres ser. És real como nunca haviam sido, minha estrela oferecida, meu gemido gritante, meu sentimento pleno e cortante. O teu beijo no centro do carinho, os lençóis ausentes na sua inutilidade, o teu calor, o meu carinho, o teu olhar, o meu toque, o teu sorriso, o meu sentimento, o meu calor, o teu toque, o pleno, a dor, o amor, o carinho, o arrepio, o auge, a tua capacidade de amar, o meu sorriso de prazer, as estrelas, o anoitecer...
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