Em espera

Tenho falado sempre para "ti". Tu que não existes no real, tu que és perfeito pela tua distância. Tu que tens uma pluralidade de identidades e nomes que conheces, que conheço, que conhecem.
Hoje, deixei de estar contigo.
A razão baseia-se na tua ingratidão, já não sou o outro lado do espelho, da carne, do sangue, nem sequer da folha.
Sou a carne, o sangue, a caneta.
Não existe o "somos", pois amei-te por não me amares.
Ridículo, não é?
Rio-me, pois sei que esta noite sonharei com um "contigo", voltarei a pensar e dizer que fomos, somos e seremos.


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