Estava rodeada por todos que fazem parte de meu mundo na beira de um abismo. Incrivelmente onde os outros viam queda e morte, eu o mar e a vida. Corremos todos à volta de uma ilha de betão que após três voltas nos ofereceu uma saída. Um espaço fechado, de sonho. Foi como se estivesse num bar negro, incrivelmente semelhante som o cabalismos nas suas temáticas. Mas lá, no chão castanho e irregular, não havia códigos, conhecimentos, ou inteligência. Apenas sentimentos. à entrada fomos revistados e fui projectada para uma parede dura que me magoou o pensamento. Puzemos as mãos nos bolsos e reparámos que tinhamos perdido todas as lembranças e problemas. Éramos o que sentiamos.
Sentei-me num canto, embrulhada a um cobertor pelo frio que ainda vinha do abismo, ainda via o meu sentir pensante, e chorava por ele. Tu chegaste, dobraste o teu corpo para me conseguires olhar nos olhos sem esforço. Rimos, brincámos noutra dimensão transmitida pelo olhar. Abandonámos os corpos por segundos eternos, e quando regressámos tinhamos os lábios sequiosos. Um impulso, um sentimento, um beijo leve e eterno. Abrimos os olhos ainda colados e vi que era um prenúncio.
Pensámos e fomos expulsos. Retornados para o abismo inicial. Lá, um velho barrigudo olhava para o nada e chorava invisivelmente. Estava sentado numa cadeira de praia, mais um que via o mar...
Éramos três num areal só nosso, eu-eu, eu-frustrado, eu-glorioso.
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