Meu amigo

o negro espesso da tua figura aperta-me os sentidos.
porque sei que sofres, meu amigo.
e sei que sabes, mas que finges não saber, e ambos sabemos que finges que eu não sei, mas sabes que sei. tudo. desde o teu sorriso falso à tua palavra mais àspera.
e dói. dói por saber que te dói. dói mais ainda saber que sabes que me dói, mas finges.
e no fundo, o que mais dói é este fingimento que nos impede de falar. de pegar na tua mão e de te dizer: "estou aqui". mas tu não deixas. e eu não consigo.
porque sei que te aperto os sentidos. porque sabes que sofro. e sabes que eu sei que sabes mas finges não saber que ambos sabemos.
da dor
infinita do universo.

meu amigo

2 comentários:

Maria disse...

É raro haver dor relacionada com o universo, pelo menos que falem dela, que haja preocupação.

E é também reconfortante saber que se pensa global e não somente no nosso umbigo.

Demonstraste isso mesmo com estas palavras.

E... os amigos cultivam-se, muito, muito bem. E são já tão poucos e tão raros nos dias que correm que apenas com eles se pode partilhar essa dor de que falas.

Beijo, menina. *

Unknown disse...

Por vezes é tão dificil encontrar tempo para sentir o sofrimento de um amigo, quanto mais para escrever acerca desse sofrer. E é dificil encontrar amigos que sofram por nós apenas porque sofremos.Bem hajam os que escrevem sentem e sofrem pelos amigos como tu fizeste.

Rui