A meu lado, ela olhava pela janela enquanto visualizava ou imaginava episódios da sua vida. Sorria levemente, e os seus olhos expressavam-se de acordo com o filme interior que ia vendo. Os seus dedos, que repousavam sobre seu colo, marcavam num gesto mudo o compasso de uma canção qualquer. Não conseguia dormir, ela. Nem o som anafórico do comboio lhe apagava os pensamentos, nem o cansaço lhe adormecia o corpo.
E eu, que a observava, tentava perceber o que veria ela dentro de si mesma para além da paisagem invernal que nos inundava.





















