E danço, danço

Passam-se os ritos e os ritmos. Agora, danço pelos violinos e pela vontade de me desprender do corpo e das vidas que se parecem apenas com uma.

Trintintin
Trantantan
Parara
Tralili
Trilala
Trintran
pumpum
humhum

Be silent and be sharp.
Que se percam os sorrisos na habituação da convivência, até aceito.
Que se ponha em causa a convivência devido à habituação, também.










Mas que seja provocada a destruição do historial de trocas interpessoais ininterruptas por uma tolice, não.
Thank you for this bitter knowledge
Guardian angels who left me stranded
It was worth it, feeling abandoned
Makes one hardened but what has happened to love

Got me writing lyrics on postcards
Then in the evenings looking at stars
But the brightest of the planets is Mars
What has happened to love

So I will opt for the big white limo
Vanity fairgrounds and rebel angels
Can't be trusted with feathers so hollow
Heaven's invention, steel eyed vampires of love
You see over me, I'll never know
What you've shown to other eyes

Go or go ahead and surprise me
Say you've lead the way to a mirage
Go or go ahead and just try me

Nowhere's now here smelling of junipers
Fell off the hay bales, I'm over the rainbows
But oh Medusa kiss me and crucify
This unholy notion of the mythic powers of love
Look in her eyes, look in her eyes
Forget about the ones that are crying
Look in her eyes, look in her eyes
Forget about the ones that are crying
não vejo não sinto não toco não sinto não ouço não sinto não escrevo não sinto não vivo não sinto não rio não sinto não nada.

A política e a sua função de integração e manutenção da unidade social. Para efeitos, a institucionalização.

- Tal como que para formar uma bolha de sabão é necessária a existência de uma substância que estimule as características das partículas, de forma a criar pontes de dilatação entre o hidrogénio e manter uma consistência suficiente que proporcione a ilusão de unidade; também para formar o social, é preciso jogar com o equipamento biológico do ser humano para fazer com o que o o outro apareça sempre como uma continuação de eu próprio, numa rede de interdependência com estratégias individuais sincronizadas com as estratégias da sociedade.

- que dizes tu?

- digo que amanhã quero sentir-me autista.

- que dizes tu?

- digo que amanhã quero escrever tudo o que pensei e ouvi.

- que dizes tu?

- digo que quero saber que consigo.
o impossível é bonito, mas impossível.
prefiro as palavras mais bonitas no contexto mais feio,

We want your information
We will do what we must
But not here or in front of people or
on the phone

We're not all blood-sucking leeches
For we all have families too
But that don't mean that we really
love them or that we don't
'Cos I can't love you
And you can't love me
But I can love you
And you can lover me

Love me

It's not a confrontation
(ALL ACROSS THE WORLD OPEN YOUR MOUTH)
We are here because we are broke
(GIVE US WHAT WE WANT, WE'VE HAD ENOUGH)
But we don't expect a hand out of anything
(SOUL! SOUL! SOUL! SOUL! SOUL!)
'Cos I can't help you
And you can't help me
Oh I can help you
And you can help me
I can help you
You can help me
I can help you
You can help me

Help me

Help you
(It's not an impossible situation)
Help me
(It's not an impossible situation)
Help you
(It's not an impossible situation)
Help me
(It's not an impossible situation)

I know there is doubt we can do this
but
I can help you


que o contrário.

do que ficou

Sou uma amálgama de corpos que recusaram o meu.

Passo a vida entre passos

Por cada passo em frente, a distância para o maior tempo de espera diminui. E dou passos para trás, mas o tempo percebe que o quero adormecer, e estica-se dentro de si mesmo.

- Não te encontro.

Os meus reflexos não funcionam dentro do tempo dos teus, porque o meu tempo não é o tempo nem tem tempo.

- Não te encontro.

O meus segundos são os passos de distância de ti. E cada passo é uma eternidade.

O fim

adorávamos ficar a ouvir o som dos nossos passos

éramos tudo do pouco que tinhamos.
éramos o amor
e o sorriso
da realidade.

éramo-nos sem precedentes. éramo-nos com a despreocupação de crianças.
e fechávamos as portas ao mundo, abrindo as nossas uns para os outros.
e fingiamos que nunca nos tinham ensinado
e corriamos de mãos dadas pel'
as ruas que não eram caminhos
mas destinos para
a necessidade da presença.

éramos três a negar a memória pelo momentâneo
somos três a negar a memória pelo momentâneo

porque somos crianças que fingem que nunca foram ensinadas
e fecham as portas ao mundo, fazendo com que
o sorriso da realidade
seja a abertura das suas portas
a outros iguais
que se sujeitem à sincronização
do som dos seus passos.

O que é o amor? #3

não sei se te quero. mas quero
o teu cheiro
a tua mão
e o [som do] teu sorriso
na primeira gaveta da mesinha
onde guardo
as memórias.

Colapso

já não penso. apenas sinto que sinto: a falta. as palavras não chegam. esgotam-se, afundam-se languidamente nas réstias de ansiedade dos que passam. perdem o sentido de tanto as repetir, de as querer repetir. já não chega o azul e o castanho, já não chega sequer o vermelho: esbatem-se à medida que lhes tento tocar. já não chega fechar os olhos e fingir que vejo. sequer cerrar os punhos e crer que existe a força. esgotou-se o pensar pelo colapso do sentir.

Desespero do inacabado


- Dá-me a tua mão. quero pousá-la na minha face e sentir que estás.

Corpo

as palavras falham
só se sente; só te sinto. o corpo.

esquece-se a mente
abdico do racional por instantes
que por alienantes
se elevam ao pensamento,
libertando-o.

surge o som do corpo
vou sofrendo de movimentos espasmódicos
que só acalmam com
a cobertura do orgânico

pelo orgânico.

e tudo parece.

[perdem-se as palavras num universo disconexo de acontecimentos.]



Magali Herradon Burbujas

O que é o amor? #2

Partilhar o que ainda não se tem.

é o amor.



Nota: todos os textos desta série são dedicados a Paulo Ferreira e Margarida Ponte.

O que é o amor? #1

#1- sensorial



as palavras rudemente melodiosas, os cheiros imundos que já não incomodam, a liberdade de movimentos, os olhares baixos por opção, a vibração da cor e, a sociedade não-alinhada,

são o amor.


Nota: todos os textos desta série são dedicados a Paulo Ferreira e Margarida Ponte.


acerca de Franz Kafka

«É verdade que aparentemente todos somos capazes de viver, porque a partir de certo momento nos refugiamos na mentira, na cegueira, no entusiasmo, no optimismo, numa convicção, no pessimismo, ou em qualquer oura coisa. Mas ele não tem em que se refugiar. É absolutamente incapaz de mentir, como de se embriagar. Não tem o mais pequeno refúgio, o mais pequeno abrigo. Por isso está exposto a tudo aquilo de que nós nos protegemos. É como um homem nu entre as pessoas vestidas.»
Max Brod

«Era um homem e um artista dotado de uma escrupulosa consciência que se mantinha vigilante, onde os outros, os surdos, já se sentiam em segurança.»
Milena Jesenka

«quando se transpõem as barreiras da intimidade, expomo-nos à critica, à piedade e à inveja (...); escancarámos as portas aos mal-entendidos. Já não dominamos as relações com os outros, deixamos de poder modelá-las, somos, pelo contrário, modelados por elas.»
Milena Jesenka


Milena|Margarete Buber-Neumann| 1977

Dupla perspectiva

as mãos acolhiam-lhe as próprias lágrimas,

enquanto a ânsia lhe perfurava os olhos por não encontrar outras mãos sem ser as suas.

- Silêncio! (ii)



E abraçou-o apenas para o sentir.