a todos os fracos de espírito
como eu.
cegasse para que pudesse ver a monstruosidade
que é
a cidade
dos muitos.
Sons acres caem em cima dos que passam
atarefados
por aqui
por ali
por eles
por ti.
Sem nunca compreenderem que à noite há Noite.
onde todos são vagabundos.
feridos, sedentos.
miseráveis.
que procuram em corpos alheios o cheiro
doce
do rio.
e bebem. e riem. e fingem esquecer o que ao acordar
não se esquecem de lembrar.
mas dentro das paredes, perdem-se conta às almas desistentes.
àquelas que já nem o próprio cheiro procuram
que ignoram as luzes
e até
a espessura da noite.
esses.
(por serem mais vagabundos que os que vagabundeiam)
já não riem nem bebem nem choram nem sentem.
apenas dormem
e mentem
acerca de uma falsa apoteose
da vida que levam.
e na manhã seguinte correm aos tropeções
onde todos são vagabundos.
feridos, sedentos.
miseráveis.
que procuram em corpos alheios o cheiro
doce
do rio.
e bebem. e riem. e fingem esquecer o que ao acordar
não se esquecem de lembrar.
mas dentro das paredes, perdem-se conta às almas desistentes.
àquelas que já nem o próprio cheiro procuram
que ignoram as luzes
e até
a espessura da noite.
esses.
(por serem mais vagabundos que os que vagabundeiam)
já não riem nem bebem nem choram nem sentem.
apenas dormem
e mentem
acerca de uma falsa apoteose
da vida que levam.
e na manhã seguinte correm aos tropeções
esmagados, uns contra os outros.
atropelam-se na pressa
de deixar de ter pressa.
e poder chorar.
ou deixar de mentir.
amanhece.
de deixar de ter pressa.
e poder chorar.
ou deixar de mentir.
amanhece.
as paredes ganham a espessura da luz, e perdem a vergonha.
agora, as janelas já não se escondem entre as cortinas
nem se cobrem com os véus negros
da Lisboa que agora acorda.
agora, as janelas já não se escondem entre as cortinas
nem se cobrem com os véus negros
da Lisboa que agora acorda.
ingénua mas feliz.

