Oscilações

Às vezes gostava de saber representar;
às vezes queria ter mais tempo para mim;
às vezes queria ter talento;
às vezes queria gostar menos de mim;
às vezes gostava de ser mais séria;
às vezes gostava de parar o tempo;
às vezes gostava de me conhecer;
às vezes gostava de não saber escrever;
às vezes queria acreditar em Deus;
às vezes preferia saber mais;
às vezes sonho em voar;
às vezes quero ler durante horas a fio sem comer sequer;
às vezes quero afogar-me com a minha própria ansiedade;
às vezes gostava de me chamar pelo nome;
às vezes preferia ver-me do lado de fora.
Às vezes perco-me em desejos diletantes,
outras vezes reduzo-me ao que de maravilhoso tenho.

Curta-metragem

Os teus traços parecem ainda mais perfeitos à luz do desejo. Fecho os olhos e aperto-te contra mim, na necessidade de sermos unos de uma vez por todas. Lutamos contra a natureza e deixamos que uma gota de suor nos percorra o tronco. Olho-te de maneira estranha, olhas-me da mesma forma - já não somos crianças, já não nos vemos como tal. Os beijos salgados já não são inocentes, e percorremos o corpo um do outro na tentativa de beber o néctar que até agora tanto nos uniu. O desejo apodera-se de nós, deixamos de ser apaixonados para sermos carnalmente atraentes um ao outro. Fundimo-nos em função da carne, olhamo-nos em função do amor, e deixamos de o sentir por momentos para o tentarmos fazer. Os lençóis são àsperos ao toque da tua pele, o ar que respiro é amargo aos teus beijos suculentos e desejosos, o pensamento é seco aos nossos corpos húmidos, e o odor a luxúria deixa de nos ser estranho.

Rebanho

Escrevemos sem ser escritores. Somos egoístas com uma arma apontada à cabeça. Mas Ninguém nos ouve nas noites de grito, nem no riso mentiroso. Berrarias mudas que apontam o dedo ao mundo, na espectativa que alguém nos faça o mesmo. Somos loucos desesperados de alguma atenção. Somos crianças sem vida própria, com um vazio cheio de livros e palavras. Somos adultos opacos, escondemos a nossa demência na demência do mundo. Dia. Noite. Dia. Noite. Dia. Noite.Pausa. Os insanos não dormem, apenas produzem na sua ânsia de parar o tempo. Somos egoístas porque simplesmente não temos nada. Somos vazios mentirosos, falsos. Não somos escritores, mas apenas medíocres a querer alguma atenção. Escrevemos coisas loucas, boas ou más, mentiras ou clarividências, azuis ou verdes. Escrevemos sempre na tentativa de sermos avaliados. Uma. Outra vez. Mais uma. E mesmo que não gostemos - uma e outra vez. Porque nos sentimos vivos. Porque nos sentimos menos loucos. Porque alguém reparou numa palavra nossa. Porque por segundos nos achamos artistas, por muito medíocres que nos achem.

Acessório de Refletância de Ângulo Raso

Quando o mundo já nos parece previsível na sua forma, descobrimos perspectivas novas de ver o que nos rodeia.



(sendo elas finitas, o nosso prazo de validade é demasiado robusto para as conseguirmos ver todas enquanto vivos)

Quisera que chegasse

Consegues lembrar-te do ultimo abraço carinhoso que recebeste?
Ainda te lembras do que sentiste?
Consegues trespassar para a medíocre invenção da escrita o que pensaste e guardaste?

Nem eu.

Auto-hetero-auto Retrato

Eu.
Face rosa de desamor, olhar azul de mar.
Águas revoltas, passado presente, amor latente.

Tu.
Lábios doces de delícia, braços e mãos rasgados em carícia.
Brincadeiras inocentes, precedências inerentes.
Amor puro, amor verdadeiro, amor teu.

Tu, eu.
Corpos aquecidos pela paixão e pela injustiça.
Um leque de confidências, uma mão cheia de incoerências.

Eu, tu.
Olhares cegos de visão e de razão.
Paixão permanente, coração latejante, pensamento vadio- e por isso vazio.

Nós.
Uma criança carinhosa, um pomar colorido.
Um cacho de saudade, cujos bagos são saboreados em momentos escassos( e deliciosos).

Vice-versa

- O meu batom é lilás brilhante. A minha caneta de sublinhar é púrpura. A minha pele é semi-transparente. A minha altura é 1.60 m. Roo as unhas. Tenho sangue plebeu.
E se o meu batom fosse verde, a minha caneta de sublinhar azul, a minha pele opaca, a minha altura 1.80 m, as minhas unhas bonitas e cuidadas, e meu sangue fosse azul?

- Se o fosses, pensarias o inverso.

Tolos

quando ainda somos poéticos numa cobertura de betão.
ridículos?
(Sorrio e nego com a cabeça)

Pausa

Façamos uma pausa no blog. Só para comunicar a minha alegria extrema de saber que a minha cunhada está de bebé, e que vou ser tia :D
Parabéns ao meu manusco :D
Aweeee

Ao Krip, do Caneta sem Tinta

É com alguma tristeza que vejo um blog como o "Caneta sem tinta" admitir o seu fim. Através do seu autor, conheci uma infinidade de pessoas que hoje me fazem sorrir, apr(e)endi palavras e ideias, emocionei-me, entristeci, sorri, revoltei-me, senti.

G*, meu querido amigo imaginário. Ainda te lembras quando passámos horas a dizer mal do mundo? Foram poucas, comparadas com as que ganhámos em apontar defeitos um ao outro. Tornámo-nos em dois animais desenhados por crianças, rolámos na relva, insultámo-nos, fingimos, amámos como quem ama uma borboleta que nos atravessa o caminho na cidade. Fizeste as malas, mas não quero que partas (ainda).

Lembra-te que me deves o Omnia Mutantur em papel.
Lembra-te dos 'foolish games'.
Lembra-te de tudo o que fingimos lembrar-mo-nos.
Lembra-te que deixámos de ser crianças.
Lembra-te do nosso filme preferido.
Lembra-te de teres andado com o meu saco um dia inteiro.
Lembra-te de teres lido "A Aparição".
Lembra-te das perguntas e das não-respostas.
Lembra-te da "fotologoesfera".
Lembra-te que temos uma fotografia juntos.
Lembra-te que conheci quem me roubou o coração através de ti.
Lembra-te da minha insistência no número 9.
Lembra-te do presente que me deste.
Lembra-te de Lilith.
Lembra-te das coisas sem sentido.
Lembra-te que me contrariaste milhões de vezes até nos conhecermos.
Lembra-te que sabemos o nome completo e data de nascimento um do outro.
Lembra-te que tinhas razão.
Lembra-te de momentos e memórias.
Lembra-te de coisas que ainda não sabes.
Lembra-te da importância das tuas palavras para mim, para o mundo.
Mas não me lembres, parte.

Ab irato

Tenho pesadelos como as crianças;
e não me sei rir deles, como as crianças.
Aconchego-me no teu corpo e peço protecção, como as crianças.
Evito chorar com medo de piorar, como fazia em criança.

Mas cresci, como as crianças.
E ainda rebolo na cama sem sono,
mas já não chamo pela mãe.

Já tenho mais anos-luz que dedos nas mãos,
sei escrever há tempo de mais para me lembrar de quando aprendi.
(como gostava me recordar de tentar pegar num lápis com o desajeito que me é intrínseco)

O cabelo escureceu,
tornei-me num pseudo-camaleão armado em poeta.
Já me sinto responsável - e já me doem as costas por isso.

Confissão

Talvez o meu maior erro seja não me saber expressar, de modo a que os outros percebam o que desde sempre percebi; pois fico sempre na esperança que a maioria das pessoas me perceba sem que tenha de falar.

Nado não vivo

As palavras são ridículas
Verdes, podres.
Tuas.

Envergonhas o chão que pisas,
mostras-te o que não és.
Metes nojo aos transeuntes,
enojas-te a ti próprio.

És mendigo de ti mesmo,
és um pedinte de nenhures.

E carregas a ingenuidade tórrida de um corpo asqueroso
que oferece náuseas ao mais rico homem.

E gritas que és sem o ser,
mas na verdade nunca foste,
nem sequer na ultima garrafa de vinho barato que deglutiste,
e muito menos nalgum olhar que ofereceste.

Consola-te pobre cego, que mesmo a ver não deixas de o ser.
Embriaga-te em sonhos e ilusões,
veste roupas largas e goza com anões,
vive na vontade de morrer!
Mas na tua lúcubre visita à terra,
o escuro alcatrão que calcaste
não passa de uma farsa de que te apropriaste.

Convence-te pobre porco,
que quem te julga com tamanho nojo como eu,
nunca será tão odiado como és!
Nesse teu ínfimo mundo azul,
ao qual olhas com prazer...
sem nunca teres chegado a nascer.

Dias

Hoje não me apetece escrever.

T Dois

Olho a moldura de letras que na minha frente se apresenta mais uma vez. Delineio os seus traços como se fosse a primeira vez que escrevia publicamente. Um pedaço de vidro partido que por momentos desvia a atenção das minhas palavras, uma ambulância que chega. Reparo mais uma vez nas frases escritas nas mesas alvas na minha frente em jeito de heresia, revolta contra o invisível, expressão da violência de uma aprendizagem voluntária que hoje em dia é obrigatória. Desvio o meu olhar por momentos para uma frase dita por um colega, troco um olhar de cumplicidade amargo. Nas ondulações de humanos que na minha frente escrevem frenéticamente sem que sejam dominados pela minha diletância, ou mesmo inércia. Perco-me do raciocínio que o enforcado na frente apresenta, e disperso-me no meu pensamento enquanto olho a luz imunda que pelas vidraças imediatamente atrás do meu sítio embebe o ambiente de sorrisos de indiferença. Arrepio-me de pensar nas doenças que atrás do meu meio se cultivam. Ali, tratam-se pessoas por números como bestas infectadas. Aqui, ouvem-se raciocínios falaciosos e rolam canetas em papéis já cheios de tinta ilegível. E tudo se funde numa morte intelectual, um assassínio da vontade humana de saltar pela janela e voar até casa para me acolher nos cobertores com quem se ama e protege. Recosto-me na cadeira e disfruto do cheiro doce da tinta que se espalha pelo meu caderno diário. Deixo pender a cabeça num momento de preguiça, delego a tua visão no tecto. Sorrio ao imaginar a possibilidade de alguém abaixo de mim faz o mesmo.

Cegueira



Fecho os olhos no mundo sensível.
Abro-os no mundo inteligível.

Rapto

(Se possível, ao som de "The Outsider - A Perfect Circle")


   Corro o vidro de modo a poder sentir o ar da madrugada na face. E como é cortante a forma subtil que as naturezas encontram para nos fazer sentir dentro de um filme. O gelo que seca a pele da minha face rosada pede-me um fechar de olhos no intuito de absorver o momento.
   Concedo o seu desejo, e sinto o calor das baixas temperaturas, embrulhada num manto de sonolência cada vez mais cómodo. Se lhes pudesse tocar as gargalhadas inocentes e puras, que soltam sem dar conta, talvez o toque se assemelhasse a veludo amarrotado.
   A viagem ainda não tinha terminado. O corpo de alguns pedia néctar, mas eu preferi contemplar a pré-histórica roda enquadrada num desenvolvimento avassalador, cortado aos poucos pelo vento que apenas eu conseguia ver.
Deixei-me adormecer no aconchego de um amigo-revelação. E apesar de ter sido o seu ferveroso cheiro a adormecer-me, a minha mente estimulava-se com o perfume de outro - a quem eu realmente pertenço. E não há nada mais atordoante que adormecer na velocidade do tempo, com o perigo à espreita em qualquer faixa de rodagem contrária ao nosso caminho, mas nada mais agradável que acordar com uma voz sorridente, envolta num regresso a casa.
   Penetro a chave minha fechadura, retiro o diário da minha gaveta, recolho-me, penso em ti por segundos. Apago-me por breves horas.

(Apenas lamento o facto de a minha tosca transcrição de emoções ser cega. Contudo, é agradável saber que nem tudo o que se vive pode ser intelectuado.)

Simetria


Tenho escrito coisas bonitas para pessoas bonitas aqui.

De(In)dicado

Tu és todos os sons
De todo o silêncio,
Por isso eu te espero
Te quero e te penso.

[Pedro Abrunhosa -Como uma ilha]


Injustiça

Um dia descobri porque as palavras carregadas de angústia me deixam um gosto mais duradouro na boca que as palavras felizes.
Talvez porque a felicidade faz o tempo correr.

Eternidade espontânea



Chegar a casa de madrugada, e sentir que fizemos alguém rir.
Escrever no escuro, mesmo que sejam traços sem sentido.
Manter o pensamento acordado, mesmo que os olhos não o peçam.
Encontrar truques para a má memória do mundo, mesmo sabendo que há coisas que se esquecem.
Alimentar uma escrita feroz para próprio gozo, sabendo que ninguém a vai ler.
Ver uma cidade dormente, e pensar apenas numa pessoa.
Sentir a alma cheia, quando à tua volta apenas existe o vazio de cores que nunca tu construiste.
Deixar a velocidade nos trespassar o corpo, contrariando o tempo que nos apodrece.
Esboçar um sorriso por estarmos vivos, enquanto todos à nossa volta são abatidos um por um.
Jogar mal por falta de jeito, e rir por derrota da forma mais verdadeira.
Notar que alguém nos nota, mesmo que seja por uma segundo efémero.
Sentir que do outro lado do rio está alguém que nos cuida, mesmo que a saudade aperte.
Ingerir alimentos pouco saudáveis a meio da noite, só pelo gozo da companhia.
Lançar sorrisos irónicos falsos, esconder uns verdadeiros.
Jogar um pouco na mente durante o dia, esquecer tudo na noite.
Enfrentar a noite num rasco de vontade, mesmo com medo de tonturas.
Ter a roupa cravada de cheiro dos bares, sabendo que os nossos pulmões não se lavam na máquina.
Lançar uma palavra de aconchego a uma mente ainda irracional.
Rir ao acaso.


Momento

Há sons, que pelo seu apelo ingénuo à infância, me levam para planos já esquecidos no tempo.
Passaram dez anos desde que não tenho por cima da minha cama uma casinha com dois ursos, um grande, outro pequeno. Os dois vinham à janela alternadamente ao som de uma melodia que me sempre foi familiar. Não era um som de uma comum caixa de música, mas algo mais secreto, que transmitia segredos à minha imaculada mente, assim como afastava os fantasmas toscos dos meus sonhos irreais. Era especial, porque o urso pequeno sempre me fazia ficar triste. Era pequeno, era insignificante, era eu enquanto respirava numa casa de adultos, sentindo que eu era tosca. Por isso, nunca abraçava, nunca dizia que gostava de alguém. Era rude, para que me conseguisse sentir o urso maior, mais sedutor, sem aquele choro de anjo.
Rio-me desse tempo em que a minha prima preferida tinha 70 anos e eu já a achava velha. Hoje tem 80 e essa velhice já me passa ao lado, mas fico sempre com a necessidade de a ter conhecido em jovem, pois parece que antes de eu existir, ela não existia, ou pelo menos em mim não o faria. Serão menos 62 anos de lembrança dela gravada na minha memória, que ingrato.
Sei que quando pessoas que me agitam a memória morrem, eu sinto-me um pedaço mais perto da atitude deles aquando da minha infância. E solto sempre um tímido sorriso ao pensar que poderei ser 20 anos na mente de alguém, tendo eu vivido 50. Sorrio mais ainda quando imagino um filho meu a imaginar-se estranho pela minha atitude ao vê-lo chorar pelo urso pequeno.

141

Quero aconchegar-me em ti
Adormecer com as tuas festas
Chorar no teu ombro quando me apetecer...

Eu aconchegar-te com ternura e carinho
limpar as tuas lágrimas e sussurrar ao teu ouvido aquilo q precisas de ouvir no momento
aproveitar um abrir de olhos nocturno teu, para roubar um beijinho e voltar a aconchegar-nos

gosto de ti
pelo que és
pelo que me fazes ser.
(sem que eu o peça)


foto de R*

Crime

Corta-se o cordão umbilical com toda a pressa para que ninguém veja o crime.

Larga-se o ser mudo numa qualquer esquina. Aprende a falar num instante.

Luta para que não lhe doa a partida de que não toma sentido.

E ingénuo espera que o busquem.

E ingénuo espera na esquina que o crime o abrace.

E não sabe que o cordão umbilical lhe foi cortado.

E aprende a falar.

Um ser que nunca falou o mesmo dialecto.

E grita.

Por fim, grita.



por mylostwords

One bullet at a time

e se

no dia em que

o mundo acabasse

tivesses planeado o amanhã ?


Duo em uníssono

GUILHERME
significa: o que protége

Gaguejo por entre os teUs suspiros aInda entrelaçados nas tuas palavras
. Lança-as mar, queremo-las quando chegarem a Hipérboles na margem, mesmo que inúteis, mesmo que as absorvamos como antes. Estórias de encantar, barafundas de falsas emoções - são tuas sem o ser. Remata a tua existência com conselhos inúteis (como este), que tanto gostas de dizer que não gostas. Mais que seres o que és, não és o que dizes ser, muito menos o que te contradizes na tentativa de o fazer. Não és, meio do que dizes gostar, claramentE.

(dedicado)

O cheiro não cadastrável

És porque não me és.
És sem o ser.
Deixas de o ser quando não peço.
Interpretas-me.
A tua voz, o teu carinho não é mais que uma efémera amostra.
Do que sinto quando te sinto, nada é explicável.
Amor? Que seja, que sejas. Gosto.
De ti, de mim.
(pausa)
(parágrafo sem o ser.)

O verde e o vermelho

Escrever
mais uma vez
porque tem 1 erro parcial
ou um notorio.
As ideias falham
Os pensamentos fogem
Usaram-se ideias pré-concebidas
O alcatrão lento já não dá valor à ideia
As palavras são insuficientes
Não há inspiração
A despersonalização enoja o sentimento
Erramos num recurso estilístico
Hoje não é dia de não-ser, muito menos de ser não-poeta.
E por isso desistimos do que dizemos
do que pensamos
Do que íamos dizer
Ou do que poderiamos pensar através do que iria ser dito ou escrito.

(Conheces a letra da "Enjoy the silence"?)

O abstraccionismo geométrico comporta-se da mesma forma: o conjunto de cores que se vê na estação das Olaias, que foram pintadas de forma arbitrária, não transmitem, tal como as palavras, nada de palpável. É a sensação que tens, que lhe dá o valor. (...) Ainda pensei que o Krip lá chegasse, mas nem ele. Pensou que se devesse à calmaria da estação. Muitas vezes perdemo-nos em interpretações . (...) Daí gostar dos teus textos mais recentes: a forma curta e directa esconde mais que os meus (maus) textos que ninguém compreende. É isso que gosto, fazes-te compreender, não usas jogos de conhecimentos elitistas que por vezes eu faço: as tuas palavras chegam a qualquer pessoa. (...) De facto já me disseram que cresci na escrita... que tenho uma espécie de escrita inteligente... mas tu tendes a não ter noção enquanto escreves, é-te intrínseco. É como quando aprendes a andar de bicicleta: já não pensas, andas e desenvolves os truques (é mais ou menos isso). Mas sobretudo é uma Paixão Muito Grande.. talvez a Maior que tenho na vida... e claro que fico extremamente feliz por saber que pessoas como tu, que também admiro pela sua forma de escrever, me dêem críticas tão magníficas... Se queres que seja sincera, mas minhas palavras não funcionam. Num texto expositivo-argumentativo, sou capaz de escrever à mercê das ideias mais loucas que me surjam. Confio na minha forma de arrojar conceitos completamente básicos. Mas a nível mais poético, falta-me sabor. Ou talvez dor. A tua balança de escrita tende mais para uma faceta métrica. Sim.. de facto tens outra abordagem na escrita, tens um tipo de escrita mais arrumado. (...) Eu tenho uma relação diferente com as palavras: uso-as. Já tu, preferes mantê-las. Mantenho. Pode parecer surreal e incompreensível para muitos.. mas tenho de escrever. Tenho de. Mesmo. Aprendi a viver assim.. cresci assim.. e nisto vou-me. Está bem, boa Noite. E não esmoreças na escrita. porque também tu.. sabes o que escreves.. e faze-lo bem.. Tenho dias, poucos...

(Quando três pessoas conversam interpoladamente, o resultado torna-se curioso. Talvez sejam nelas que mais consigo mostrar o que posso. Escrever de mim para mim tira-lhe o gostinho a que estamos habituados. A ti, Musa. A ti, Surpresa.)

Ligações frutíferas II



Abstraccionismo geométrico & "Feelings are intense, words are trivial"



Ligações frutíferas

Há quem chore por ti,
Eu sorrio contigo.

Há quem eu ache falso,
Nada é verdadeiro o suficiente para o poder ser.

Há quem faça dieta,
Eu como chocolate.

Há quem queira beber,
Eu tenho dias.

Tenho dias que ouço sons rudes,
Outros que estou surda com o meu próprio som.

Há dias que a vida não muda,
Noutros ela deixa de existir.

Há quem ame o surrealismo.
Eu gosto do abstraccionismo geométrico.

O "João" é a estação do metro "Parque",
Eu preferia ser "Olaias".

Tenho segundos que me acho inflexível,
Outros sou a mais cega crente.

Há dias que tento,
Outros ganho.

Hoje gritei com pessoas,
Amanhã posso querer chorar no ombro delas.

Hoje quero o que quer que possa querer,
Nem que seja uma palavra doce vinda de alguém.

Hoje sou gregária porque gosto,
amanhã sou gregária porque me é intrínseco.

Magia

Pergunto-me como seria possível escrever um texto sem nunca repetir uma única palavra.

Respiro.




O (interno) sorriso

Há sons que o corpo provoca quando o silêncio da alma é grande. Há outros que só se ouvem de verdade quando estamos com quem queremos.

Para cima

"Nós nunca controlamos nada. A Sr.Vida condena-nos, vangloriza-nos como calha"

A propósito, esta frase altamente destruidora de tudo o que somos, engrandece-me. Dá-me vontade de levantar a cabeça, de dizer que posso e consigo. Há um ano atrás não era metade do que sou hoje. E por mais que fique triste por vicissitudes e acasos, terei sempre uma mudança em mente, uma porta aberta, uma solução vigente. Ainda estou cega com a luz que me invadiu por minha escolha, ainda choro por alegrias e tristezas porque nunca havia chorado. Mas agora, enquanto crianças nascem, eu faço o mundo um pouco melhor: vivo.


O cheiro do som

És no meu pulso
(vermelho e negro)
Somos num coração
(és num eco eterno)
Sorrimos na mais alta degradação do planeta,
mas na maior capacidade de ser repleto de prendas interiores.
(cartas e mais cartas de amor)
Sou-te nunca deixando de me ser.
(amo)

O lugar do teu olhar

E no meio da brincadeira, no meio da falha em que surge o som enebriante, foge o meu sonho por entre os dedos, querendo chegar onde não se chega. As riscas coloridas do céu confundem-se com o tracejado da ligação, e mesmo assim deixo-me invadir pelas palavras inutéis, e pensamentos decorados para efeitos audíveis. Foge de mim, corre para a outra margem. Quero-te, tenho-te, não te tenho, fugiste, tenho-te de novo. As folhas caídas que surripam nestes patamares soltos em terra de ninguém prendem o olhar veloz dos transeuntes. E eu, que conheço as pedras como as paredes do meu quarto, deixo-me desconhecer o que havia bem conhecido, para te sentir, para te ser, para te amar. A recordação da obcessão por um tal de azul não foi mais que um cinzento com aroma a sangue. O corte triste de uma alma pérfida ausentou-se por completo. E aqui, a minha velocidade de pensamentos corre como nunca. Foge grita, sente, anda, percorre, salta, deixa-se cair...

Padrão

Gosto de sentir a cor das paredes quando o céu está azul. Gosto ainda mais da ausência das primeiras na presença do segundo. Quando as paredes já me cumprimentavam, numa tarde anoitecida, pegámos na coragem fraca, fugimos pela janela do reflexo e saltámos para o patamar proibido- branco, inseguro, gratificante. O fumo da ausência de luz real apagava todas as que se moviam lá em baixo. Os carros com trabalhadores carregados de pressa, as ruas iluminadas pelo alcatrão efémero, o combóio ajudante do ambiente seco. E lá no cimo, nada mais que o negro infinito. Que senti? Poder de me mostrar verdadeira, como faço agora, contigo. O grande abraço que o negro superior me havia subtilmente oferecido foi acolhido pela luz de um olhar claro e tentador, que me provocou no primeiro segundo. Quero assumir-te ao negro ausente, ficar-te e ser-te quando me quiseres ser. És real como nunca haviam sido, minha estrela oferecida, meu gemido gritante, meu sentimento pleno e cortante. O teu beijo no centro do carinho, os lençóis ausentes na sua inutilidade, o teu calor, o meu carinho, o teu olhar, o meu toque, o teu sorriso, o meu sentimento, o meu calor, o teu toque, o pleno, a dor, o amor, o carinho, o arrepio, o auge, a tua capacidade de amar, o meu sorriso de prazer, as estrelas, o anoitecer...

Toque

Aconteceu.
Ri, riste-te, sorrimos.
Olhaste, olhei, olhámo-nos.
Acenei, tocaste, parámos.
Olhei o céu, olhaste as estrelas, deixámos de ver.
Fechámos os olhos sedentos, aproximámos o bater do coração.
Sussurraste-me, sussurrei-te, fundimo-nos.
Fomos num beijo, num sorriso, numa tarde.
Sou. És. Talvez sejamos.
Sentes-me?


Ontem

Softly
Kissing you as you lie sleeping
Breathing
Gently with you in your slumber
Your face is the picture of contentment
My angel's dreaming, my angel's dreaming

And I'm so happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Slowly
Opening your wondrous eyes on me
Shining
Green and glorious in the morning sun
This moment, what could be more precious?
May it live forever, may it live forever

So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Smiling on me your love gives me all the blessings of this newday
The heat in your skin caresses my senses in sucha glorious way

I'm so happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Lamb- Softly

Indícios

Fecho os olhos, e sem pensar, vejo. Um sonho reincidente que desperta o meu lado mais real. Sou livre por te ver, livre para o fazer, e ainda mais o sou por querer querer.
"É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes."
Opiário
"Estou fatigado de estar pensando em sentir outra coisa. "

Gostava
" Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade."

Assim como falham
"O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar."
Magnificat

"Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar."
Sorriso audível das folhas


Caminhos

Temos objectivos. Estranhos, poderosos.
O alcatrão que está entranhado e que corre por nós.
A sensação doce da vida que avassala teclados negros de virtude.
A insonoridade da amoralidadade do meu crime.
A dor, o sorriso, a força.
Tua, não minha.
Caio aos teus pés, ouço a nossa cumplicidade curiosa.
O medo, a velocidade cortante a que os teus dedos percorrem as sinestesias falsas...
Vamos correr, cantar, viajar pelo mundo real de um feriado marcado.
Não me deixes, abraça apenas o momento do desmomento, assim como a causalidade da coisa.
Sê-me sem pensar em quem te foi, para que possa anular quem nunca me conseguiu ser.
As pastilhas nos sapatos de adolescentes que continuam a marcar o chão de ensino...
O cheiro da minha cor, a cor do teu cheiro, o ardor do nosso ser.
Aprecia a luz, o meu silêncio ausente, a minha mão caída por azares.


Prison Sex

It took so long to remember just what happened.
I was so young, vestal then, you know it hurt me.
But I’m breathing so I guess I’m still alive
Even the signs seemed to tell me otherwise.
Got my hands down, and my head down,
And my eyes closed, my throat’s wide open.
I do unto others what has been done to me.
Do unto others what has been done to you.
I’m treading water. I need to sleep a while.
My lamb and martyr, you look so precious.
Won’t you, won’t you come a bit closer.
Close enough so I can smell you.
I need you to feel this. I can’t stand to burn too long.
Release in sodomy. the one sweet moment I’m whole.

I do unto you now what has been to me.
I do unto you now, what has been done.
You’re breathing so I guess you’re still alive.
Even the signs seem to tell me otherwise.
Won’t you, won’t you come on up closer.
Close enough so I can smell you.
I need you to feel this. I need this to make me whole.
Relief in sodomy. have you witnessed that blood and flesh can be trusted. i.
Have you witnessed the blood and, this can’t be trusted. i.
Only this one holy medium brings me piece of mind.
Got your hands bound, and your head down,
And your eyes closed, you look so precious now.

I have found some kind of temporary sanity in this.
Shit, blood, and come on my hands. I’ve come round full circle.
My lamb and martyr, this will be over soon. you look so precious.
You look so precious now...


by Tool

Rainy day


Doesn't rain anymore.
Here is life, with your own world.
Knock on my door anytime you want.

Sonhos (re)incidentes

A viabilidade de tudo isto está em causa. O facto é que os inquéritos de podre população feliz contradizem o meu carácter sonhador. Um grosso modo de dezoito anos que consolidam o contrato das minhas palavras com as vossas. Um novo período que se avizinha, já que se sente o calor da minha nova personalidade, quer venha ela a ser efémera ou perene.
O elástico cor-de-rosa do meu corpo deixou de me prender à magna legitimidade dos sentimentos intelectuados, assim como a visão do mundo se tornou mais humana. Deixei o meu tom terra no fundo do balde, e inundei-o com sentimentos, não de gratidão, mas "egoístas". Talvez a partir de agora passe a cultivar o sentido interior do que me rodeia em estradas carregadas de população azul. Um ano não tem, obviamente, que marcar a mudança, mas a mudança dá-me sempre a noção de passagem das horas. É apenas o beijo da volúpia que me baptiza da forma mais incrível.
Que continuemos neste pacto de transmissão de cultura até se tornar insustentável.
Muitas foram as pessoas que me proporcionaram a escrita contínua e pseudo-verdadeira. Costumo afirmar que não são as palavras dos que escrevem que me fazem escrever, ao invés, são os que não escrevem um palavra que o fazem. Enumerá-las? Talvez bastará olhar para a secção "Vide", para que se torne claro e óbvio.
Beijos às faces da mudança, pois afinal, foi só um ano.

Hoje

Quando me sentia triste por envelhecer, o mundo rodou. Agradeço a todos que me quiseram bem neste dia que ainda é bebé.

We are

"You took your coat off and stood in the rain,
You were always crazy like that
I watched from my window,
Always felt I was outside looking in on you
You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair,
You were fashionably sensitive, but too cool to care"

O teu cavalo branco.

Pudesse eu descrever o teu magnífico som, ora veloz, ora lento. Como te admiro, como sigo os teus passos, como durmo e acordo, como...
Como és e foste, como me farto de te ouvir, como te peço sempre que voltes. Como te anseio que sejas meu, como te sinto meu quando te ouço!

Doze (onze) moradas de silêncio

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto
(para ti G*, com saudades de te poder deixar de levar a sério)

O homem da cabeça de vidro



O plástico entranhado nos nossos corpos de vidro ainda deixa rasto pelo pensamento. Podes por fim rir das carícias, dos cortes e marcas que uma caneta azul deixou no teu corpo, pois deixei de acreditar que acreditas na manipulação inexistente. O argumento baseado em "sou o que tu quiseres" ainda se mantém cristalizado nos blocos de açúcar que o frio causou, ainda sinto que sentes o gosto doce e sólido da minha boca sanguífera.
Encontrei a razão de tudo isto num debate azulado, pois o meu olhar escondido entre folhas contrasta com o teu entre corpos. O meu azul é um utensílio, o teu verde uma arma. O meu azul é um espelho, o teu acastanhado uma falácia. O meu castanho é uma devoção à tua acoerência, o teu arco-íris a devoção à coerência alheia. Verifica os diferentes caminhos, assim como a capacidade enebriante dos mesmos. Repara na assombração de um Fado que se impõe na tua mão, em que por uns segundos, uma caneta conseguiu aquecer-se e marcar um nome que te adoça.
Intensifica-te, passa a odiar-me, pois a necessidade de te ver longe quer saborear os laivos de sangue que se geraram no teu peito.

(risos)

Não me apetece escrever. As ideias belas que tenho vão-se em segundos, segundos esses que seriam precisos para as escrever. Cansaço? Também. Até porque me tenho dedicado para tocar na perfeição politica, apesar de a mesma ser um alvo em movimento, quase utópico. " Fazer parte da elite do pensamento politico", como havia dito o Professor Doutor Filipe Canaveira há uns dias atrás. Enquanto o tenho feito, tenho me apercebido de uma imensidão de coisas... contradições do ensino das tais elites, é que as querem "educar", isto é, estandardizar uns supostos pensadores livres. É claro que tudo isto é feito através da nossa consciente inconsciência, pois enquanto nos demonstram os negros corredores da vida política, manipulam a informação, nem digo que seja de forma propositada, mas porque uns Professores são mais velhos, com outra educação, outros principios, outras amoralidades clássicas/contemporâneas...
Agora estamos à maré das elites politicas já per si consagradas.
Se por um lado gosto de me deixar enganar, pois torna-se saboroso; por outro lado reparo na quantidade de candidatos à mesma elite politica (demonstrando a brilhante capacidade de persuasão de quem nos ensina, pois quase todos acreditam nesse patamar ademocrático, mesmo quem diz que quem está no Padrão dos Descobrimentos a apontar, seria o Marquês de Pombal) que não possuem o mínimo carácter crítico, absorvendo tudo o que lhes é dado. Altruísta por pena alheia? Egotista pelo meu exibicionismo? Nem uma, nem outra. Apenas gostaria que se tornasse mais clara a diferença entre os diferentes, isto é, os geniais. Pois se todos são bons, e todos são parte integrante da elite, qual será a condição para tocar no tal alvo em movimento?
Agora notam porque não me apetece escrever...

Cartas de Novembro

Há sempre tanto para dizer e tão poucas maneiras de o fazer. Escrevo porque existe uma morte que manda calar, que elimina todos os paradoxos e cumplicidades aparentes que adoro criar. Sim Guilherme, és tu. Consigo comparar-te à inexistência de tempo, às palavras cortantes com que me acusas sem que eu te leve a sério. Gosto. Gosto da maneira como me fazes gostar do que dizes que detestas em mim. Rio-me contigo, de ti, destes 'foolish games' que nos fazem crescer per guisa de brincadeira. Odiamo-nos porque não queremos crescer, assim como quero manter a eternidade de uma amizade que nunca existiu. É a intensidade da tua imagem provocada e ilusória que torna tudo isto belo, assim como a minha deliciosa mania de te (como situação real) querer como quis o desenho que uma vez te pedi.
Fará sentido mostrar como te vejo? Ou o que provocas já é, só por si, previsível? Rio-me, pois encontrei a expressão que mais te autonomiza dentro de tudo isto. Não a vou dizer, pois esboço um sorriso só em descobrir-te com o teu consentimento.
Desculpa-me Guilherme, mas a sombra polvilhada pela areia do quente sol de um agosto paciente e poético ainda persiste. "Não o és, não o sou, nunca fomos, (...) porque me apetece".
Gosto de cantarolar no escuro, enquanto ando por caminhos recorrentes e amigos. É como se susurrasse aos ouvidos de quem descansa naqueles quartos imundos, meticulosamente arrumados.
Não gosto da arrumação estandardizada, talvez por isso continue a cantar baixinho no escuro, antes de chegar a casa, desfrutando da Lua que me é deliciosamente oferecida.

"Enjoy the silence"


( Seria hoje mais um dia em que queria enquadrar a minha inspiração nas minhas palavras, seria mais um dia em que não o conseguira fazer. )

Em espera

Tenho falado sempre para "ti". Tu que não existes no real, tu que és perfeito pela tua distância. Tu que tens uma pluralidade de identidades e nomes que conheces, que conheço, que conhecem.
Hoje, deixei de estar contigo.
A razão baseia-se na tua ingratidão, já não sou o outro lado do espelho, da carne, do sangue, nem sequer da folha.
Sou a carne, o sangue, a caneta.
Não existe o "somos", pois amei-te por não me amares.
Ridículo, não é?
Rio-me, pois sei que esta noite sonharei com um "contigo", voltarei a pensar e dizer que fomos, somos e seremos.


Sentindo a acre sabor da vida

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Sabes que sim, que somos.
Que apesar de teres sido um à parte,
Continuas a ser-me.
A suave queda a que te sujeitaste tornou-te mais tu.
Tornou-te menos singular em sociedade
mas plural em ti mesmo.
Perguntas-me porque o teu reflexo é disforme,
eu digo que és apenas disforme aos olhos dos outros.
Aos meus, não tens reflexo,
pois enquanto as tuas insanidades afastam os espelhos,
Aproximam a magnífica passerelle que se avizinha.

Crenças


"Sonhei (comigo).
Invadiste a minha falsa privacidade e assombraste o que poderia ser tristemente belo.
Acreditei (em ti).
Na tua veracidade pouco credível.
Mea culpa, sempre gostei de uma pitada irreal.
Cravei o teu nome na minha eternidade, com uma peréne troca de sanguíferidade.
Não me imitaste os gestos, para meu agrado.

(...)
Sometimes you pray..."

(texto dedicado a Tânia aka death_angel)

Arrepio

O fumo ardente que eu usava para evadir a minha alma podre, ofuscou-me por completo. Fatum ou não, olhei para ti por entre outras cabeças que se atravessavam entre nós. Não te vi como antes, como éramos antes.
Estavas doentio, indagado pela tua sabedoria solene. Eras um bicho amedrontado que evitou tudo o que o rodeava. Estavas angustiante, com um ar de cansaço transcendentemente poético, e por isso mesmo nesse momento te amei. Porque como sabes, eu não amo pessoas, sequer sentimentos, mas apenas momentos em que pessoas se tornam inconscientemente poéticas, como tu o havias sido nessa noite.
O breve olhar que havia raspado pela tua deliciosa nuca fez-me perder tudo o que havia ganho numa semana de must we. O teu corpo cravado com laivos do meu fumo ardente, e a tua pequena grandiosidade, fizeram-me gritar para o meu interior. Ouvia-te no meu eco, como se meu amante fosses, até à exaustão.
Até que o fumo se esfumou da minha vista azulada, e eu voltei a sentir-me como antes.
O resto da noite foi enganada por outra personagem bravia, mais um condenado à escravidão. Mal sabia que o entretenimento amado que sentia ainda se baseava na altivez da tua presença, no amor que me havia penetrado o inconsciente.
A noite ainda gritava por mim, mas decidi deitar-me. Enquando os meus estímulos visuais se diluiam no mosaico de imagens que havia apreendido nessa noite, relembrei com gosto a conversa deliciosa com o escravo. Mas mais tarde, quando os morcegos me mordiam os pulsos na busca de conhecimento, lembrei-te de novo.
No meio do meu tumulto diário apareceste, e decidimos fugir. Refugiámo-nos na maior viagem telepática que até hoje conhecia, e naquele limite, uma nuvem de fumo ardente nos trespassou o olhar.
Quando voltámos a sentir visualmente, vi-te a cobrir o meu corpo gelado com o teu corpo contrastante. Estavamos no teu quarto, onde só havia estado uma vez em toda a minha vida, mas que por isso mesmo, tinha sido suficiente. Sabia que quem tu mais tinhas amado até hoje, tinha feito de ti os seus gemidos naquele quarto.
Aí, a imagem eterna que me ficou na memória. Nossos corpos gelados, o teu beijo quente e perfeito, e o teu grito preso abaixo da minha cintura. Encostado à cama descansava o teu amor material, a tua música por cordas rodeada de um negro falso.
Sentia-te.
Acordei, tentei voltar ao sonho, inutilmente. A cama estava vazia, não havia vestígio de teu sangue. Mas se eu fechar os olhos, imaginar o fumo ardente a querer cegar-me, e sentir o delicioso sabor do teu pescoço, vejo-te comigo.

Há correspondência com a evasão

Gente que corre num sentido, como se uma torrente amarga pré-destinada fosse.
Que quadro belo.
Todos têm pressa, todos aceleram o passo efeverscente, no intuito de encontrar um lugar sentado, longe do gordo peludo que tresanda a presunto fresco.
Todos querem chegar, todos se sentem importantes.
Todos se sentem eles mesmos, todos pensam que são, ou pelo menos pensam que pensam que alguma vez o foram.
Todos esperam pela sua chegada.
Pelo seu barulho carregado de óleo acre e entranhante.
Ele chega, com o seu característico som aveludado. Todos se chegam à frente, todos esperam que os anteriores sigam o seu destino, todos estão preparados para entrar e seguir.
E eu, morta de cansaço pela minha recente vida de monge, deixo-me adormecer até à ultima estação, tentando evitar os que me pedem para alimentar a sua desgraçada e ilusória vidinha miserável.


"Existe sempre, em cada um de nós, uma religiosidade, mesmo em quem se considera ateu. É uma questão civilizacional, que se desvenda em aspectos tão prosaicos como acordarmos todos os dias com a certeza de que vamos encontrar o mundo igual ao que deixámos no dia anterior. Apesar de nada nos garantir que assim seja, senão a crença, uma palavra em tudo semelhante à palavra fé."


José Luís Peixoto

Futuro

Angústia
Cobardia
Medo
Ânsia
Lágrima
Sangue
Ardor
Palpitação
Arritmia
Hiper-actividade
Choro
Pudor
Tristeza
Esperança
Silêncio
Suavidade
Carência
Raiva
Tortura
Excentricidade
Critica
Porcaria
Margaridas
Mentira
Azul
Controle
Atalhos
Ambição
Calor
Risadas
Paineis
Velocidade
Correspondência
Transporte
Doença
Miséria
Sono
Roubo
Sonho
Cansaço
Chuva
Pensamentos
Pressa
Sobreposição
Entendimento
Transparente
Tempo
Pedir
Sentar
Simplificar
Optimizar
Pensar
Acalmar
e
Esperar.

Momentos de prazer


Enquanto o ontem e o amanhã se cruzam, o sangue que nos devora a capacidade de brilhar baralha-nos com as suas inacessíveis teclas.
Nenhures soltos pelas acres mãos cansadas do trabalho que outrora ansiaram.
O silêncio que tarda.
Choros de crianças pelo mundo! Pedidos de amor... de interesse.
Valsas ternurentas, vestidos rasgados com um leve aroma a amora.
O cimento do futuro, o sangue novo a que aspiramos torna-nos nos criadores das nossas próprias mãos. Onde o trabalho volta a ser suavemente agarrado com ânsia.
E aí, o silêncio volta, o amanhã troca de lugar com o hoje, e nós sentimos o passar da capacidade de brilhar.

Hapiness upon my soul

Colocada
0902 Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
LISBOA
0870 Ciência Política e Relações Internacionais
Licenciatura

A quem me apoiou e felicitou pelo meu esforço:
... from the heart.


Beijo especial a mylostwords. =)

Volúpia (en)cena



Krip: um dia escrever-te-ei uma carta com o teu sangue
pacith: sempre nos julguei unos
pacith: da mesma forma que quando provo o meu sangue, provo o teu
Krip: eu não
Krip: o que corre nas minhas veias não é sangue
Krip: é água
Krip: só assim consigo ter o coração gelado
pacith: que mentiroso...
pacith: =)
pacith: bem, vou-me de vez
Krip: deixo-te uma frase minha
Krip: Reino sobre o teu corpo, reinas sobre a minha mente.
pacith: pudesse eu fazê-lo
pacith: ...
Krip: engana-te
Krip: ilude-te
pacith: contigo não.
pacith: se o fizesse, estaria a corromper a tua identidade.
pacith: tornar-te-ia num qualquer.
pacith: Não o és, nunca o foste.
pacith: És. Sou sendo contigo. E por isso mesmo. Somos.
Krip: sê-lo-ei?
Krip: Não. Amanhã já não o és. Já o foste. Já não sentes. Mentes

Poesia



A poetização das palavras deixou o seu momentâneo aroma a baunilha pela minha casa.
E como sempre, adorei.
Espero o teu quente regresso, para que a volúpia inocente deixe congelar a imagem das luzes cegantes do palco.
Que a grandeza e altivez regresse de uma vez!
Que o alcatrão nos coma os restantes pedaços de carne!
Que haja vida!

The Patient

A groan of tedium escapes me, startling the fearful.
Is this a test?
It has to be. Otherwise I can't go on.
Draining patience. drain vitality.
this paranoid, paralyzed vampire act's a little old.

But I'm still right here, giving blood and keeping faith. And I'm still right here.
But I'm still right here, giving blood and keeping faith. And I'm still right here.

I'm gonna wait it out

If there were no rewards to reap,
no loving embrace to see me through this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.

I'm gonna wait it out

If there were no desire to heal
The damaged and broken met along this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.

I still may. And I still may.
Be patient.

I must keep reminding myself of this...

If there were no rewards to reap,
no loving embrace to see me through this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.
And I still may. And I still may. And I still may.

I'm gonna wait it out.
I'm gonna wait it out.
Gonna wait it out.
Gonna wait it out.

Amarga eternidade

Os desejos secretos da natureza juntaram todas as ferramentas possíveis para que te criassem. As fadas e borboletas trabalharam até à exaustão, trocando muitas delas a sua vida pela tua. A perfeição que te concederam tornou-se tão ingrata que ainda hoje ofereces as tuas lágrimas aos pequenos pedaços de terra que persistem neste mundo de betão. O teu cheiro de beleza, o teu sabor de romã deixam-me acreditar que existem almas perfeitas e gémeas.
Somos irmãos do amor, primos da paixão, amantes do dissabor.
A distância a que se nasce do amor perfeito faz-nos pensar sempre se é realmente perfeito, se não será apenas mais uma miragem do alcatrão quente que nos (me) persegue. O sonho que me move a procurá-lo não o será com certeza. O meu mundo ordena que sejas abraçado pela minha carne sustentada por estilhaços cortantes do tempo e do vento. Mas o teu, onde a Primavera feliz sempre persistiu, ignora a irmandade do ódio que se havia gerado entre as borboletas e fadas. Nasceste perfeito, mas marcado pela morte e sacrifício das pequenas criaturas escravizadas e belas. E o seu sangue, ainda correndo nas tuas veias frescas e puras, apenas te condena ao eterno movimento doloroso de procurar a tua essência.
Afinal de contas, as almas gémeas foram feitas para nunca se juntarem.

"Orestes"

Metaphor for a missing moment
Pull me into your perfect circle

One womb
One shape
One resolve

Liberate this will
To release us all

Gotta cut away, clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue that's
Keeping me from killing you

And from pulling you down with me in here
I can almost hear you scream

Give me
One more medicated peaceful moment
One more medicated peaceful moment

And I don't wanna feel this overwhelming
Hostility
Because I don't wanna feel this overwhelming
Hostility

Gotta cut away Clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue
Gotta cut away Clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue that's
Keeping me from killing you
Keeping me from killing you

(from me to you)

Adeus

Escrevo-vos com a maior raiva que possa existir.
Se a tristeza de olhar os outros a brincar por uma janela ainda me atormentasse, tinhas morrido. Sim, porque a minha sede de acabar com o que foi criado tinha estagnado, até tu reacenderes a chama do crime.
Andei anos à procura da pessoa perfeita para matar, mas todos me pareciam presas fáceis de mais. Hoje encontrei-a. Tu, porque apesar de perto, sempre estiveste longe; e apesar da ajuda, sempre trepaste por quem podias. Tu e os teus, que ainda hoje me perturbam com a sua pobre grandeza, são a medíocres de mais para me sujar.
Não sei se escreverei por muito mais tempo, apesar de cada vez mais desejar fazê-lo. A tortura do oportunismo deixou de resultar, falhaste.
Choro, pois mudaste o meu futuro. E por mais chicoteada que seja, tu serás sempre mais, pois já era altura de entenderes que o dinheiro não é grandeza.
Posso não ser recheada de ouros, mas não estou consumida pelo mesmo.
Fecha a porta, mas nunca a voltes a abrir. Nem que morras.

Inverno

A saudade do gelo lembra-te. Assim como as queimaduras que o sol me deixou por vingança da minha ausência.
Os segredos que ainda me dizes são inconfidências relembradas, per guisa da tua brisa gelante de mentirosa que me desassosega o pescoço, mas que me recorda do teu glorioso regresso.
Todos te julgam entediante, mas eu conheço a tua essência: destruír o reino de fogo. Para depois, quando todos já estiverem habituados à tua coercividade, te ires, deixando a saudade dos pensamentos alvos.
Mas eu sei que por mais que tentes fugir, voltarás. E contigo, voltarão muitos outros, quer sejam eles heróis ou desgraçados.

Porque é que no silêncio da noite, nos assusta falar em voz alta?

" Mergulhados no silêncio nocturno, sentimo-nos não existir. O que existe é como que o absoluto do mundo, a presença aguda das coisas. O universo aguarda a vinda do primeiro homem. E subitamente gritamos: «Eu estou vivo, EU SOU.» E falamos connosco, fazemo-nos perguntas. Sobe-nos então à garganta uma surpresa de terror: «Quem sou eu? Quem está aqui comigo?» Dá vertigens. É como se nos aparecesse um fantasma e estivesse dentro de nós e fosse alguém a mais e visse pelos nossos olhos e falasse pela nossa boca. Só os doidos falam sozinhos, porque nãp têm medo. O mundo para eles não existe: só existe a sua loucura. Por isso nós, se falamos, nos sentimos doidos, separados subitamente do mundo. O que existe não é o quarto onde entamos, os livros, a noite; o que existe é este vulcão brutal que sai de nós, o jacto do deus que nos habita, esta montruosidade que nos adormecia dentro. "


Vergilio Ferreira- Aparição

Citizen Erased

Break me in,
Teach us to cheat
And to lie, cover up
What shouldn't be shared?
All the truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe him

For one moment I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free

Self expressed, exhausting for all
To see and to be
What you want and what you need
The truth unwinding
Scraping away
At my mind
(Muse)

O Passo

Esse nome estava agora derramado com o meu proprio sangue, parecia que não queria sair dali,como se ali pertencesse, como se ali fosse o seu lugar. Começava a ficar quente, fervia levando o meu nome consigo, por breves segundos o meu nome tinha desaparecido, sem deixar rasto, apenas restava uma fria e dura camada de ferro.
Que teria acontecido ali, porque estaria o meu nome ali sepultado num momento e noutro teria desaparecido...? Que significaria aquilo...?
É nesse preciso momento de ansiedade que a porta se abre, engulo o meu coração bem fundo e dou um passo em frente...

Cordas vermelhas

Medo.
De falhar,
de cantar,
de saltar.

Alguma vez sentiste a falta de ter poder de eliminar qualquer um? Fulminá-los a todos os que se julgam altos e grandes, os que te ignoram e irritam por fazerem-o.

Medo.
De sentir,
de rejeitar,
de amar.

Pensa em cada dia que viveste, assim como cada segundo. Consegues? Eu consigo. Talvez seja mesmo esse o problema, pois raramente me esqueço e/ou surpreendo.

Medo.
De brincar,
de esquecer,
de mandar tudo para o canto mais esquecido do planeta mais longínquo e não-descoberto.

Alguma vez quiseste ter as mãos sujas de sangue, e não o fazeres por consciência de outrem?

Medo.
De tudo,
de nada,
da vida,
da não-vida,
da morte, quer seja tua, quer seja minha.

Será que cada vez que tento tenho de te ter?

Medo.
De ser-te,
de ser-me,
de ser Lilith,
ou alguma personagem numa caverna.

O teu corpo consa-se com a luz? A tua ignorância pouco te chateia, pois todos a amam.

Medo.
De portas,
de paredes,
de prisões.

À tua frente existem mais que faces disformes e degradantes? Não?
A tua curiosa mania de ser ignorado traz-te benefícios?

Medo.
De não conseguir esquecer,
de não esquecer o medo,
de te esquecer,
de me esquecer.

Imaginas que a cada palavra tua, o mundo fica exactamente na mesma, do que se tivesses permanecido calado?

Medo.

A dor nas tuas mãos torna-te feliz? As palavras que carregas alguma vez se calaram?


Medo.
De cantar,
assobiar,
ou de me calar.

Já te sentiste doido, e quereres mudar? Já tentaste mandar o teu melhor amigo para a cadeia por um crime que tu próprio cometeste?

Medo.
De ser livre,
de chorar,
de abrir um armário,
de estragar o que construíram.

A minha cabeça rodopia e rebenta.
e eu gosto.

Medo.
De não de amar
e de te amar.

Já pensaste que cada palavra tua é para mim um desejo de morte?

Rio-me.
Afinal não é medo, mas apenas a minha forma de vida.

O Rio

Como eu odeio este sofrimento,
Esta dor cá dentro,
Correndo nas minhas veias,
Como águas alheias.

A Aparição

O sol fugiu-me. Vagueio por estas ruas lisboetas, em que a única presença é a luz ensurdecedora dos candeiros mal acesos. O constante ressonar da revolução industrial ateima em esmagar os sentimentos intelectuados, os que ainda persistem na minha sombra coberta de cinza, destruída por chuvas dissolventes.
Onde de dia se veem quadrados reluzentes e ignorados, de noite vejo amigos e promessas vazias. Cada pedra é um polegar sanguífero e irónico, erecto perante a minha incompetência. O meu sorriso impulsivo renega toda esta imaginação inútil.

- Calma, são apenas sombras que assassinam todos os nossos desejos e ambições. Fazem-nos tomar conta da nossa pequena (grande) importância.

Porque eu sonho de mais

Acordo. Decido correr por uma muldidão persistente. Vou contra a maré que todos seguem , e vejo alguns que também o fazem. Empurram-me e caio, mas insisto em levantar-me com as forças que nunca tive. Corro abrigando a cara da multidão cortante, que tenta me levar com eles, mas não deixo.

Olho para trás.

Volto a correr e vou contra alguém fraco, triste, estandartizado pela alienação global. Tento passar e olho-o nos olhos por segundos. Deixei de ver! Apenas resta um rasgo de luz causado por tal ser que me olhou nos olhos.

Paro e sento-me no chão.

Sinto-me vã, estúpida. Estou a contrariar algo inevitável, quero ser levada pela maré, mas a exigência meus pensamentos não deixam.

Abro os olhos.

Estou numa cadeira desconfortável que me provoca dores intensas nas costas. A minha boca dirige uma nuvem de fumo espessa para uma altura superior à minha cabeça, enquanto que as minhas mãos e braços com veias salientes se esforçam para escrever algo numa tecnologia que me enche as medidas.

Sinto o meu corpo estranho, dirijo-me ao espelho.

Olho-me e não me reconheço. Visto uma camisola preta e a trivial ganga. A minha face está esguia, com um sorriso mal esboçado, bastante encoberto, assim como o meu cabelo e olhos, que se tornaram escuros.

Rio-me do espelho que me engana.

Olho por mim abaixo e vejo que era verdade, maldita desconfiança. Ouço uma voz feminina a gritar algo... No inicio mal reconheço a palavra, mais tarde ouço nitidamente que era um nome, pelos vistos seria o meu.

A porta abre-se.

Vejo por meu espanto que o meu antigo corpo que dizia o tal nome que estava gravado numa jaula, num espelho.

De mim para mim, digo e ouço:


O que dizer a uma pré-18 anos...

angel sleeps:Tens de tentar pensar positivo.(sim, sim.. é fácil falar.)

just4U :Eu também sou assim, só como tenho cara de sei lá o quê... ninguém acredita em mim...
só quando a pedrada acerta é que acreditam, depois ficam todos muito chocados...(há que ser forte perante os outros!)

Mirror: Já fiz textos sem saber o título e coloquei algo que n se adequava,simplesmente porque não têm título.(aconteceu-me isso mesmo agora ao ler-te)

Sr.blue: Queres chamar-me de amigo ou queres ser minha amiga?(quero ser tua amiga e dizer que sou tua amiga para me sentir bem)

fedakim:Para isso é preciso muita paz de espírito e tempo para os sentimentos se acumularem , não se consegue meter a inspiração numa agenda. (eu consigo, ou pelo menos tento.)

rainysummer: Quero uma palavra para substituir "posted by" e "comment" ("escrito por" e "comentários", não chegam?)

Dr.know-how: Muitas vezes é na aparente, ou mesmo verdadeira, futilidade que podemos encontrar as maiores verdades para nós; são muitas vezes aquilo que pessoas supostamente grandes desprezam o melhor que o mundo tem. (Quem me dera.. que utópico estás tu hoje.)

super-non-super-Selfish: Pensavas k era arrogante?(Estava mesmo à espera da pergunta)

Queen4aday: Há tantas diferenças nas escolas do país. É o velho cliché, mas continua na mesma. (Sou uma sortuda em viver na cidade)


Beijos a todos**

A porta impaciente

Deixei a porta aberta para te ver chegar. Parei a minha vida, o meu pensar, para que os meus sentidos te admirassem à chegada. Nunca tinha feito isso até então, mas repentinamente senti a tua falta. Sentei-me, e esperei.
Uma hora.. duas horas... três. Uma noite e um dia.
Fechei a porta e mal virei costas ouvi um bater ensurdecedor na madeira inteligente.
Não eras tu. Era apenas a notícia de que nunca mais voltarias.
Não.. não morreste.
Eu é que não esperei o suficiente.

O Espelho

Está aí alguém??!...nada... parecia que o mundo tinha acabado á minha volta, estava rodeado de silêncio, não conseguia ver nada para além de mim, não corria um único ar, mas eu respirava, era bom sinal. Tinha sangue nas minhas mãos, aqueles ferros frios e asperos não me deixavam passar. Percorro a minha mão por eles, noto uma camada de ferro maior e mais espessa, que era aquilo... noto uma zona calcada, passo os meus dedos por ela e apercebo-me que tem algo escrito, ali cravejado com suor para nunca mais sair, coisa mais estranha, tento perceber o que é...
Era o meu nome!

Palavras


A Substância

Que substância é esta que me ocupa a cabeça...!!
Arranhando todos os meus pensamentos, corroendo o meu passado/presente e futuro, não vejo nada, caí...
Pareciam anos naquele abismo escuro, onde não conseguia respirar, aquela pressão não me deixava libertar os pensamentos
Parecia que me estavam a roubar todos os bocados de memória que tinham restado da minha vida
Não me conseguia mexer...não sabia como o fazer nem que o queria fazer
Não me conseguia lembrar...não sabia porquê o haveria de fazer nem como

Não conseguia pensar...
Estava preso neste vazio, que Horror!!!!!!
...
É no momento que sinto qualquer coisa...algo bate...o meu coração!
Começo a sentir algo que me corre nas veias a uma velocidade tal, como se estivesse parado há anos, incrivel...
Como é que nunca me apercebi, sinto um formigueiro nos meus braços...mas é agradável ao mesmo tempo
As minhas pernas...estão frenéticas, começo a sentir um formigueiro na cabeça
Começa tudo a ficar mais claro, já vejo...

O alivio................................................

Controvérsias

"Há dias em que o azar nos bate à porta e nós, risonhos, deixamo-lo entrar, pensando que só acontece aos outros sem nos apercebermos que nos pode também acontecer connosco.
Ee bateu á minha porta e como toda a gente não me apercebi ...
O desejo era mais forte, a paixão doentia e o amor que me atormentava foi parilhado com a pessoa amada, com quem nos enche as medidas. É assim é acontece o amor puro no estado quase animalesco, selvagem mas é assim que nos sentimos bem até que ... o azar entra e então acontece o que não devia. Fazer amor tornou-se no verdadeiro terror: passou do puro prazer ao desespero .
Começamos a pensar no futuro e aparece o pensamento que vamos ter um filho nos braços a choramingar, a chamar-nos mamã , papá... e essa criança não tem culpa nenhuma de existir apenas os pais que se entregaram demasiado ao amor que sentiam .
Mas o problema de maior não é esse mas sim as idades , a vida ,a falta de coragem para assumir os erros, a irresponsabilidade, o sentimento de culpa que vai nascendo.
E depois põe-se a hipótese do aborto mas deitar a perder uma criança, um ser vivo que tem todo o direito de viver e não vai viver por culpa dos pais, por culpa do amor.
Amor esse que a devia receber de braços abertos, amor esse que não devia destruir, mas apenas construir.
É triste e agonizante passar noites e noites a pensar nisto. Chorar pensando que um acto pode complicar tanto a nossa vida, que depois no fundo poderá apenas ser um atraso, um problema hormonal, um alarme falso...(...)
O prazer pode tornar-se no nosso pior pesadelo, no nosso pior susto, uma coisa que nunca mais vamos querer repetir..."

Excerto retirado da obra: Cartas controversas

My little world.................( )

Devem de se estar a perguntar, quem sou eu, o que sou eu, o que estou aqui a fazer neste mundinho tão pequeno que muitos não se interessam nem querem saber o que lá existe e se passa para além das suas consciencias, pois esse mundo não é nada em comparação comigo, pois os que me conhecem decerto que me conhecem melhor do que conhecem lá fora...

Nameless

Os meus olhos pesados de cansaço não me deixam ver o mundo como eu quero. O cinto que me aperta o cerco cada vez mais se alargou.

Liberdade é a maior prisão... cliché ou realidade?


foto cedida por dave

Pânico vindo do nada

Estar sentado, querer levantar e n poder, porque o querer não o deixa, pois não quer. Pensar em todas as pessoas que se ama e pensar que nos odeiam. Encontrar a nossa salvação onde não existe. Entrar em desespero. Procurar o inexistente, e esquecê-lo porque nunca existiu. Correr parado. Chorar intensamente e parar. Começar de novo a chorar. Sentir o peito a explodir por alguém que nos dê uma palavra, e se der, chora-se de novo.

Até que o corpo dorme, e tudo passa.

Prenúncio

Estava rodeada por todos que fazem parte de meu mundo na beira de um abismo. Incrivelmente onde os outros viam queda e morte, eu o mar e a vida. Corremos todos à volta de uma ilha de betão que após três voltas nos ofereceu uma saída. Um espaço fechado, de sonho. Foi como se estivesse num bar negro, incrivelmente semelhante som o cabalismos nas suas temáticas. Mas lá, no chão castanho e irregular, não havia códigos, conhecimentos, ou inteligência. Apenas sentimentos. à entrada fomos revistados e fui projectada para uma parede dura que me magoou o pensamento. Puzemos as mãos nos bolsos e reparámos que tinhamos perdido todas as lembranças e problemas. Éramos o que sentiamos.
Sentei-me num canto, embrulhada a um cobertor pelo frio que ainda vinha do abismo, ainda via o meu sentir pensante, e chorava por ele. Tu chegaste, dobraste o teu corpo para me conseguires olhar nos olhos sem esforço. Rimos, brincámos noutra dimensão transmitida pelo olhar. Abandonámos os corpos por segundos eternos, e quando regressámos tinhamos os lábios sequiosos. Um impulso, um sentimento, um beijo leve e eterno. Abrimos os olhos ainda colados e vi que era um prenúncio.
Pensámos e fomos expulsos. Retornados para o abismo inicial. Lá, um velho barrigudo olhava para o nada e chorava invisivelmente. Estava sentado numa cadeira de praia, mais um que via o mar...
Éramos três num areal só nosso, eu-eu, eu-frustrado, eu-glorioso.

Que procuro?

foto de Carlos Carreto

Ouço uma voz ao longe, numa gargalhada discreta e mentirosa. Ouço com atenção o que ela me transmite, até que o eco se esvaneça pelo ar que respiramos.
Vejo uma imagem muda, de um antigo pedido de complacência, com o qual ainda sonho.
Sinto o olhar indeciso e trémulo de outrem que me fascina.

Ænema

Some say the end is near.
Some say we'll see armageddon soon. I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this bullshit three ring circus sideshow of Freaks
here in this hopeless fucking hole we call LA
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.

Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your hairpiece and
Fret for your lawsuit and
Fret for your prozac and
Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.

It's a bullshit three ring circus sideshow of freaks
here in this hopeless fucking hole we call LA.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.

Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
Followed by faultlines that cannot sit still.
Followed by millions of dumbfounded dipshits.
Some say the end is near. Some say we'll see armageddon soon.
I certainly hope we will cuz I sure could use a vacation from this
Silly shit, stupid shit...
One great big festering neon distraction, I've a suggestion to keep you all occupied.
Learn to swim.
Mom's gonna fix it all soon. Mom's comin' round to put it back the way it ought to be.
Learn to swim.

Fuck L Ron Hubbard and Fuck all his clones. Fuck all those gun-toting Hip gangster wannabes.
Learn to swim.
Fuck retro anything. Fuck your tattoos. Fuck all you junkies and Fuck your short memory.
Learn to swim.
Fuck smiley glad-hands With hidden agendas. Fuck these dysfunctional, Insecure actresses.
Learn to swim.
Cuz I'm praying for rain and I'm praying for tidal waves I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom please flush it all away.
I wanna watch it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.
Time to bring it down again.
Don't just call me pessimist. Try and read between the lines.
I can't imagine why you wouldn't
Welcome any change, my friend. I wanna see it all come down. suck it down. flush it down.

thank U

Debaixo da língua e na ponta dos dedos

Sinceridade said:
O meu avatar... foi um cromo que tirou uma foto dentro do carro,
Sinceridade said:
um português que não faz nada.
Sinceridade said:
(...) o cromo que tirou a foto fui eu.
Mentira said:
Não gosto de fotos minhas,
Mentira said:
estranhamente só gosto daquelas em que não pareço eu.
Sinceridade said:
Estranho...
Sinceridade said:
Eu já tive menos auto-estima.
Mentira said:
Todos nós temos fases: eu desde há uns meses estou quase que como num patamar acima do carnal...
Mentira said:
Gosto de mim, sinto o "poder" que tenho...
Sinceridade said:
Mas não me parece que seja apenas uma fase, até porque continuo a não ter auto-estima.
Mentira said:
Se pudesses mudar... mudavas?
Sinceridade said:
Sim.
Mentira said:
Mas tudo está nas tuas mãos : se queres mudar, podes mudar.
Sinceridade said:
É dificil uma pessoa mudar, pois és sempre tu.
Sinceridade said:
não mudas assim sem mais nem menos...voltas sempre ao normal porque simplesmente não estavas a ser tu.
Sinceridade said:
Principalmente quando psicológicamente a pessoa já está estável, já está formada...
Mentira said:
É claro que toda a gente tem traços que não mudam...
Mentira said:
Há quem chame de personalidade, eu chamo comodismo.

obviamente adaptado

As quatro paredes do meu quarto-I

Apesar de me terem, sentem a falta de outros que ainda não passam de um "eu" deles.

"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."

Carlos(O cantinho dos segredos)

Roubando a identidade alheia

Acordei.
Tenho uma necessidade intrínseca de me expressar, mas desta vez de forma minha. Cansei-me de plagiar os sentimentos, falavras, euforias e comportamentos de outrem. Não sou Krip para conseguir expressar a minha sinestesia de forma completa e inovadora. Muito menos serei mylostwords, transmitindo anarquicamente a realidade chocante e dolorosa. Death_angel? Nunca soube mostrar com sentimento o que vejo, as minhas mãos são incoerentes nesse processo. Queria conseguir encontrar o fio condutor por dicionários e raciocínios. Perdoem-me, mas não sou OpenMind. Tento por vezes ser irreverente, enganar os olhares com verdades, mas sou uma cópia barata de Rêverie 7. Gostava de ser imaginativa como Dark-Templar, e mais uma vez o "mas"...




Escrevo apenas o que sou, e deste modo sou o que escrevo. Falem, critiquem, ignorem... eu gosto =)
Não consigo adormecer...

Deep water

Ouço a tua realidade muda, submersa por milhões de sonhos que nem sequer meus são. Fecho os olhos e não durmo, abro-os, e não vejo. Os meus pés não sentem o chão que sempre ambicionaram. É ridículo ver-me a palpar o inexistente, um líquido transparente que nem a dor ressalva. E os meus olhos cansados continuam a nadar pelos pensamentos perdidos num espaço claro, mas falso. O bater do meu coração oscila conforme os ataques de pânico que tenho, assim como os meus pensamentos flutuantes que num corpo nú e pesado se rendem a cada litro que me acompanha. A paciência desapareceu, resta um amontoado de natureza que por ali se entretém. Apenas os meus olhos abertos debaixo de água tentam ver mais além de uma cegueira comum, que me atormenta a cada dia. Vivo submersa, longe dos problemas da realidade...

Som das profundezas

   Estou embriagada por sinestesias alheias. Olho em volta e vejo uma multidão em êxtase, e preocupo-me com o que lhes provoca tanta dor. Corpos que se debatem e chocam, provocando uma chuva de pequenas gotas de sangue pela zona onde me encontro. Um barulho ensurdecedor relembra-me a guerra, pois são ouvidas explosões de piroclastos invisíveis que penetram e revoltam todas as almas. Tudo pára. Erguem-se os gritos da humanidade perante a ausência de som.
   De novo o semáforo abre: os gritos regressam à superfície e os sorrisos falsos e feios das gentes regressam. A guerra continua, assim como o banho de sangue a que me sinto exposta. Lá à frente, abençoados pelo senhor sol encontram-se novas dimensões vindas do interior da terra.
  Os olhos críticos dos velhos do Restelo chamam-lhe Vozes do Diabo, em contraste com as mentes dissipadas no acontecimento, que lhe chamam de música.