Para cima

"Nós nunca controlamos nada. A Sr.Vida condena-nos, vangloriza-nos como calha"

A propósito, esta frase altamente destruidora de tudo o que somos, engrandece-me. Dá-me vontade de levantar a cabeça, de dizer que posso e consigo. Há um ano atrás não era metade do que sou hoje. E por mais que fique triste por vicissitudes e acasos, terei sempre uma mudança em mente, uma porta aberta, uma solução vigente. Ainda estou cega com a luz que me invadiu por minha escolha, ainda choro por alegrias e tristezas porque nunca havia chorado. Mas agora, enquanto crianças nascem, eu faço o mundo um pouco melhor: vivo.


O cheiro do som

És no meu pulso
(vermelho e negro)
Somos num coração
(és num eco eterno)
Sorrimos na mais alta degradação do planeta,
mas na maior capacidade de ser repleto de prendas interiores.
(cartas e mais cartas de amor)
Sou-te nunca deixando de me ser.
(amo)

O lugar do teu olhar

E no meio da brincadeira, no meio da falha em que surge o som enebriante, foge o meu sonho por entre os dedos, querendo chegar onde não se chega. As riscas coloridas do céu confundem-se com o tracejado da ligação, e mesmo assim deixo-me invadir pelas palavras inutéis, e pensamentos decorados para efeitos audíveis. Foge de mim, corre para a outra margem. Quero-te, tenho-te, não te tenho, fugiste, tenho-te de novo. As folhas caídas que surripam nestes patamares soltos em terra de ninguém prendem o olhar veloz dos transeuntes. E eu, que conheço as pedras como as paredes do meu quarto, deixo-me desconhecer o que havia bem conhecido, para te sentir, para te ser, para te amar. A recordação da obcessão por um tal de azul não foi mais que um cinzento com aroma a sangue. O corte triste de uma alma pérfida ausentou-se por completo. E aqui, a minha velocidade de pensamentos corre como nunca. Foge grita, sente, anda, percorre, salta, deixa-se cair...

Padrão

Gosto de sentir a cor das paredes quando o céu está azul. Gosto ainda mais da ausência das primeiras na presença do segundo. Quando as paredes já me cumprimentavam, numa tarde anoitecida, pegámos na coragem fraca, fugimos pela janela do reflexo e saltámos para o patamar proibido- branco, inseguro, gratificante. O fumo da ausência de luz real apagava todas as que se moviam lá em baixo. Os carros com trabalhadores carregados de pressa, as ruas iluminadas pelo alcatrão efémero, o combóio ajudante do ambiente seco. E lá no cimo, nada mais que o negro infinito. Que senti? Poder de me mostrar verdadeira, como faço agora, contigo. O grande abraço que o negro superior me havia subtilmente oferecido foi acolhido pela luz de um olhar claro e tentador, que me provocou no primeiro segundo. Quero assumir-te ao negro ausente, ficar-te e ser-te quando me quiseres ser. És real como nunca haviam sido, minha estrela oferecida, meu gemido gritante, meu sentimento pleno e cortante. O teu beijo no centro do carinho, os lençóis ausentes na sua inutilidade, o teu calor, o meu carinho, o teu olhar, o meu toque, o teu sorriso, o meu sentimento, o meu calor, o teu toque, o pleno, a dor, o amor, o carinho, o arrepio, o auge, a tua capacidade de amar, o meu sorriso de prazer, as estrelas, o anoitecer...

Toque

Aconteceu.
Ri, riste-te, sorrimos.
Olhaste, olhei, olhámo-nos.
Acenei, tocaste, parámos.
Olhei o céu, olhaste as estrelas, deixámos de ver.
Fechámos os olhos sedentos, aproximámos o bater do coração.
Sussurraste-me, sussurrei-te, fundimo-nos.
Fomos num beijo, num sorriso, numa tarde.
Sou. És. Talvez sejamos.
Sentes-me?


Ontem

Softly
Kissing you as you lie sleeping
Breathing
Gently with you in your slumber
Your face is the picture of contentment
My angel's dreaming, my angel's dreaming

And I'm so happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Slowly
Opening your wondrous eyes on me
Shining
Green and glorious in the morning sun
This moment, what could be more precious?
May it live forever, may it live forever

So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Smiling on me your love gives me all the blessings of this newday
The heat in your skin caresses my senses in sucha glorious way

I'm so happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you
So happy wit'you

Lamb- Softly

Indícios

Fecho os olhos, e sem pensar, vejo. Um sonho reincidente que desperta o meu lado mais real. Sou livre por te ver, livre para o fazer, e ainda mais o sou por querer querer.
"É por um mecanismo de desastres,
Uma engrenagem com volantes falsos,
Que passo entre visões de cadafalsos
Num jardim onde há flores no ar, sem hastes."
Opiário
"Estou fatigado de estar pensando em sentir outra coisa. "

Gostava
" Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade."

Assim como falham
"O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar."
Magnificat

"Ri e olha de repente
Para fins de não olhar
Para onde nas folhas sente
O som do vento a passar
Tudo é vento e disfarçar."
Sorriso audível das folhas


Caminhos

Temos objectivos. Estranhos, poderosos.
O alcatrão que está entranhado e que corre por nós.
A sensação doce da vida que avassala teclados negros de virtude.
A insonoridade da amoralidadade do meu crime.
A dor, o sorriso, a força.
Tua, não minha.
Caio aos teus pés, ouço a nossa cumplicidade curiosa.
O medo, a velocidade cortante a que os teus dedos percorrem as sinestesias falsas...
Vamos correr, cantar, viajar pelo mundo real de um feriado marcado.
Não me deixes, abraça apenas o momento do desmomento, assim como a causalidade da coisa.
Sê-me sem pensar em quem te foi, para que possa anular quem nunca me conseguiu ser.
As pastilhas nos sapatos de adolescentes que continuam a marcar o chão de ensino...
O cheiro da minha cor, a cor do teu cheiro, o ardor do nosso ser.
Aprecia a luz, o meu silêncio ausente, a minha mão caída por azares.


Prison Sex

It took so long to remember just what happened.
I was so young, vestal then, you know it hurt me.
But I’m breathing so I guess I’m still alive
Even the signs seemed to tell me otherwise.
Got my hands down, and my head down,
And my eyes closed, my throat’s wide open.
I do unto others what has been done to me.
Do unto others what has been done to you.
I’m treading water. I need to sleep a while.
My lamb and martyr, you look so precious.
Won’t you, won’t you come a bit closer.
Close enough so I can smell you.
I need you to feel this. I can’t stand to burn too long.
Release in sodomy. the one sweet moment I’m whole.

I do unto you now what has been to me.
I do unto you now, what has been done.
You’re breathing so I guess you’re still alive.
Even the signs seem to tell me otherwise.
Won’t you, won’t you come on up closer.
Close enough so I can smell you.
I need you to feel this. I need this to make me whole.
Relief in sodomy. have you witnessed that blood and flesh can be trusted. i.
Have you witnessed the blood and, this can’t be trusted. i.
Only this one holy medium brings me piece of mind.
Got your hands bound, and your head down,
And your eyes closed, you look so precious now.

I have found some kind of temporary sanity in this.
Shit, blood, and come on my hands. I’ve come round full circle.
My lamb and martyr, this will be over soon. you look so precious.
You look so precious now...


by Tool

Rainy day


Doesn't rain anymore.
Here is life, with your own world.
Knock on my door anytime you want.

Sonhos (re)incidentes

A viabilidade de tudo isto está em causa. O facto é que os inquéritos de podre população feliz contradizem o meu carácter sonhador. Um grosso modo de dezoito anos que consolidam o contrato das minhas palavras com as vossas. Um novo período que se avizinha, já que se sente o calor da minha nova personalidade, quer venha ela a ser efémera ou perene.
O elástico cor-de-rosa do meu corpo deixou de me prender à magna legitimidade dos sentimentos intelectuados, assim como a visão do mundo se tornou mais humana. Deixei o meu tom terra no fundo do balde, e inundei-o com sentimentos, não de gratidão, mas "egoístas". Talvez a partir de agora passe a cultivar o sentido interior do que me rodeia em estradas carregadas de população azul. Um ano não tem, obviamente, que marcar a mudança, mas a mudança dá-me sempre a noção de passagem das horas. É apenas o beijo da volúpia que me baptiza da forma mais incrível.
Que continuemos neste pacto de transmissão de cultura até se tornar insustentável.
Muitas foram as pessoas que me proporcionaram a escrita contínua e pseudo-verdadeira. Costumo afirmar que não são as palavras dos que escrevem que me fazem escrever, ao invés, são os que não escrevem um palavra que o fazem. Enumerá-las? Talvez bastará olhar para a secção "Vide", para que se torne claro e óbvio.
Beijos às faces da mudança, pois afinal, foi só um ano.

Hoje

Quando me sentia triste por envelhecer, o mundo rodou. Agradeço a todos que me quiseram bem neste dia que ainda é bebé.

We are

"You took your coat off and stood in the rain,
You were always crazy like that
I watched from my window,
Always felt I was outside looking in on you
You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair,
You were fashionably sensitive, but too cool to care"

O teu cavalo branco.

Pudesse eu descrever o teu magnífico som, ora veloz, ora lento. Como te admiro, como sigo os teus passos, como durmo e acordo, como...
Como és e foste, como me farto de te ouvir, como te peço sempre que voltes. Como te anseio que sejas meu, como te sinto meu quando te ouço!

Doze (onze) moradas de silêncio

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto
(para ti G*, com saudades de te poder deixar de levar a sério)

O homem da cabeça de vidro



O plástico entranhado nos nossos corpos de vidro ainda deixa rasto pelo pensamento. Podes por fim rir das carícias, dos cortes e marcas que uma caneta azul deixou no teu corpo, pois deixei de acreditar que acreditas na manipulação inexistente. O argumento baseado em "sou o que tu quiseres" ainda se mantém cristalizado nos blocos de açúcar que o frio causou, ainda sinto que sentes o gosto doce e sólido da minha boca sanguífera.
Encontrei a razão de tudo isto num debate azulado, pois o meu olhar escondido entre folhas contrasta com o teu entre corpos. O meu azul é um utensílio, o teu verde uma arma. O meu azul é um espelho, o teu acastanhado uma falácia. O meu castanho é uma devoção à tua acoerência, o teu arco-íris a devoção à coerência alheia. Verifica os diferentes caminhos, assim como a capacidade enebriante dos mesmos. Repara na assombração de um Fado que se impõe na tua mão, em que por uns segundos, uma caneta conseguiu aquecer-se e marcar um nome que te adoça.
Intensifica-te, passa a odiar-me, pois a necessidade de te ver longe quer saborear os laivos de sangue que se geraram no teu peito.

(risos)

Não me apetece escrever. As ideias belas que tenho vão-se em segundos, segundos esses que seriam precisos para as escrever. Cansaço? Também. Até porque me tenho dedicado para tocar na perfeição politica, apesar de a mesma ser um alvo em movimento, quase utópico. " Fazer parte da elite do pensamento politico", como havia dito o Professor Doutor Filipe Canaveira há uns dias atrás. Enquanto o tenho feito, tenho me apercebido de uma imensidão de coisas... contradições do ensino das tais elites, é que as querem "educar", isto é, estandardizar uns supostos pensadores livres. É claro que tudo isto é feito através da nossa consciente inconsciência, pois enquanto nos demonstram os negros corredores da vida política, manipulam a informação, nem digo que seja de forma propositada, mas porque uns Professores são mais velhos, com outra educação, outros principios, outras amoralidades clássicas/contemporâneas...
Agora estamos à maré das elites politicas já per si consagradas.
Se por um lado gosto de me deixar enganar, pois torna-se saboroso; por outro lado reparo na quantidade de candidatos à mesma elite politica (demonstrando a brilhante capacidade de persuasão de quem nos ensina, pois quase todos acreditam nesse patamar ademocrático, mesmo quem diz que quem está no Padrão dos Descobrimentos a apontar, seria o Marquês de Pombal) que não possuem o mínimo carácter crítico, absorvendo tudo o que lhes é dado. Altruísta por pena alheia? Egotista pelo meu exibicionismo? Nem uma, nem outra. Apenas gostaria que se tornasse mais clara a diferença entre os diferentes, isto é, os geniais. Pois se todos são bons, e todos são parte integrante da elite, qual será a condição para tocar no tal alvo em movimento?
Agora notam porque não me apetece escrever...