Hoje

Quando me sentia triste por envelhecer, o mundo rodou. Agradeço a todos que me quiseram bem neste dia que ainda é bebé.

We are

"You took your coat off and stood in the rain,
You were always crazy like that
I watched from my window,
Always felt I was outside looking in on you
You were always the mysterious one
With dark eyes and careless hair,
You were fashionably sensitive, but too cool to care"

O teu cavalo branco.

Pudesse eu descrever o teu magnífico som, ora veloz, ora lento. Como te admiro, como sigo os teus passos, como durmo e acordo, como...
Como és e foste, como me farto de te ouvir, como te peço sempre que voltes. Como te anseio que sejas meu, como te sinto meu quando te ouço!

Doze (onze) moradas de silêncio

hoje é dia de coisas simples
(Ai de mim! Que desgraça!
O creme de terra não voltará a aparecer!)
coisas simples como ir contigo ao restaurante
ler o horóscopo e os pequenos escândalos
folhear revistas pornográficas e
demorarmo-nos dentro da banheira
na ladeia pouco há a fazer
falaremos do tempo com os olhos presos dentro das
chávenas
inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos
e murmúrios de dedos por baixo da mesa
beberemos café
sorriremos à pessoas e às coisas
caminharemos lado a lado os ombros tocando-se
(se estivesses aqui!)
em silêncio olharíamos a foz do rio
é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças
descalças
hoje

Al Berto
(para ti G*, com saudades de te poder deixar de levar a sério)

O homem da cabeça de vidro



O plástico entranhado nos nossos corpos de vidro ainda deixa rasto pelo pensamento. Podes por fim rir das carícias, dos cortes e marcas que uma caneta azul deixou no teu corpo, pois deixei de acreditar que acreditas na manipulação inexistente. O argumento baseado em "sou o que tu quiseres" ainda se mantém cristalizado nos blocos de açúcar que o frio causou, ainda sinto que sentes o gosto doce e sólido da minha boca sanguífera.
Encontrei a razão de tudo isto num debate azulado, pois o meu olhar escondido entre folhas contrasta com o teu entre corpos. O meu azul é um utensílio, o teu verde uma arma. O meu azul é um espelho, o teu acastanhado uma falácia. O meu castanho é uma devoção à tua acoerência, o teu arco-íris a devoção à coerência alheia. Verifica os diferentes caminhos, assim como a capacidade enebriante dos mesmos. Repara na assombração de um Fado que se impõe na tua mão, em que por uns segundos, uma caneta conseguiu aquecer-se e marcar um nome que te adoça.
Intensifica-te, passa a odiar-me, pois a necessidade de te ver longe quer saborear os laivos de sangue que se geraram no teu peito.

(risos)

Não me apetece escrever. As ideias belas que tenho vão-se em segundos, segundos esses que seriam precisos para as escrever. Cansaço? Também. Até porque me tenho dedicado para tocar na perfeição politica, apesar de a mesma ser um alvo em movimento, quase utópico. " Fazer parte da elite do pensamento politico", como havia dito o Professor Doutor Filipe Canaveira há uns dias atrás. Enquanto o tenho feito, tenho me apercebido de uma imensidão de coisas... contradições do ensino das tais elites, é que as querem "educar", isto é, estandardizar uns supostos pensadores livres. É claro que tudo isto é feito através da nossa consciente inconsciência, pois enquanto nos demonstram os negros corredores da vida política, manipulam a informação, nem digo que seja de forma propositada, mas porque uns Professores são mais velhos, com outra educação, outros principios, outras amoralidades clássicas/contemporâneas...
Agora estamos à maré das elites politicas já per si consagradas.
Se por um lado gosto de me deixar enganar, pois torna-se saboroso; por outro lado reparo na quantidade de candidatos à mesma elite politica (demonstrando a brilhante capacidade de persuasão de quem nos ensina, pois quase todos acreditam nesse patamar ademocrático, mesmo quem diz que quem está no Padrão dos Descobrimentos a apontar, seria o Marquês de Pombal) que não possuem o mínimo carácter crítico, absorvendo tudo o que lhes é dado. Altruísta por pena alheia? Egotista pelo meu exibicionismo? Nem uma, nem outra. Apenas gostaria que se tornasse mais clara a diferença entre os diferentes, isto é, os geniais. Pois se todos são bons, e todos são parte integrante da elite, qual será a condição para tocar no tal alvo em movimento?
Agora notam porque não me apetece escrever...

Cartas de Novembro

Há sempre tanto para dizer e tão poucas maneiras de o fazer. Escrevo porque existe uma morte que manda calar, que elimina todos os paradoxos e cumplicidades aparentes que adoro criar. Sim Guilherme, és tu. Consigo comparar-te à inexistência de tempo, às palavras cortantes com que me acusas sem que eu te leve a sério. Gosto. Gosto da maneira como me fazes gostar do que dizes que detestas em mim. Rio-me contigo, de ti, destes 'foolish games' que nos fazem crescer per guisa de brincadeira. Odiamo-nos porque não queremos crescer, assim como quero manter a eternidade de uma amizade que nunca existiu. É a intensidade da tua imagem provocada e ilusória que torna tudo isto belo, assim como a minha deliciosa mania de te (como situação real) querer como quis o desenho que uma vez te pedi.
Fará sentido mostrar como te vejo? Ou o que provocas já é, só por si, previsível? Rio-me, pois encontrei a expressão que mais te autonomiza dentro de tudo isto. Não a vou dizer, pois esboço um sorriso só em descobrir-te com o teu consentimento.
Desculpa-me Guilherme, mas a sombra polvilhada pela areia do quente sol de um agosto paciente e poético ainda persiste. "Não o és, não o sou, nunca fomos, (...) porque me apetece".
Gosto de cantarolar no escuro, enquanto ando por caminhos recorrentes e amigos. É como se susurrasse aos ouvidos de quem descansa naqueles quartos imundos, meticulosamente arrumados.
Não gosto da arrumação estandardizada, talvez por isso continue a cantar baixinho no escuro, antes de chegar a casa, desfrutando da Lua que me é deliciosamente oferecida.

"Enjoy the silence"


( Seria hoje mais um dia em que queria enquadrar a minha inspiração nas minhas palavras, seria mais um dia em que não o conseguira fazer. )

Em espera

Tenho falado sempre para "ti". Tu que não existes no real, tu que és perfeito pela tua distância. Tu que tens uma pluralidade de identidades e nomes que conheces, que conheço, que conhecem.
Hoje, deixei de estar contigo.
A razão baseia-se na tua ingratidão, já não sou o outro lado do espelho, da carne, do sangue, nem sequer da folha.
Sou a carne, o sangue, a caneta.
Não existe o "somos", pois amei-te por não me amares.
Ridículo, não é?
Rio-me, pois sei que esta noite sonharei com um "contigo", voltarei a pensar e dizer que fomos, somos e seremos.


Sentindo a acre sabor da vida

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Sabes que sim, que somos.
Que apesar de teres sido um à parte,
Continuas a ser-me.
A suave queda a que te sujeitaste tornou-te mais tu.
Tornou-te menos singular em sociedade
mas plural em ti mesmo.
Perguntas-me porque o teu reflexo é disforme,
eu digo que és apenas disforme aos olhos dos outros.
Aos meus, não tens reflexo,
pois enquanto as tuas insanidades afastam os espelhos,
Aproximam a magnífica passerelle que se avizinha.

Crenças


"Sonhei (comigo).
Invadiste a minha falsa privacidade e assombraste o que poderia ser tristemente belo.
Acreditei (em ti).
Na tua veracidade pouco credível.
Mea culpa, sempre gostei de uma pitada irreal.
Cravei o teu nome na minha eternidade, com uma peréne troca de sanguíferidade.
Não me imitaste os gestos, para meu agrado.

(...)
Sometimes you pray..."

(texto dedicado a Tânia aka death_angel)

Arrepio

O fumo ardente que eu usava para evadir a minha alma podre, ofuscou-me por completo. Fatum ou não, olhei para ti por entre outras cabeças que se atravessavam entre nós. Não te vi como antes, como éramos antes.
Estavas doentio, indagado pela tua sabedoria solene. Eras um bicho amedrontado que evitou tudo o que o rodeava. Estavas angustiante, com um ar de cansaço transcendentemente poético, e por isso mesmo nesse momento te amei. Porque como sabes, eu não amo pessoas, sequer sentimentos, mas apenas momentos em que pessoas se tornam inconscientemente poéticas, como tu o havias sido nessa noite.
O breve olhar que havia raspado pela tua deliciosa nuca fez-me perder tudo o que havia ganho numa semana de must we. O teu corpo cravado com laivos do meu fumo ardente, e a tua pequena grandiosidade, fizeram-me gritar para o meu interior. Ouvia-te no meu eco, como se meu amante fosses, até à exaustão.
Até que o fumo se esfumou da minha vista azulada, e eu voltei a sentir-me como antes.
O resto da noite foi enganada por outra personagem bravia, mais um condenado à escravidão. Mal sabia que o entretenimento amado que sentia ainda se baseava na altivez da tua presença, no amor que me havia penetrado o inconsciente.
A noite ainda gritava por mim, mas decidi deitar-me. Enquando os meus estímulos visuais se diluiam no mosaico de imagens que havia apreendido nessa noite, relembrei com gosto a conversa deliciosa com o escravo. Mas mais tarde, quando os morcegos me mordiam os pulsos na busca de conhecimento, lembrei-te de novo.
No meio do meu tumulto diário apareceste, e decidimos fugir. Refugiámo-nos na maior viagem telepática que até hoje conhecia, e naquele limite, uma nuvem de fumo ardente nos trespassou o olhar.
Quando voltámos a sentir visualmente, vi-te a cobrir o meu corpo gelado com o teu corpo contrastante. Estavamos no teu quarto, onde só havia estado uma vez em toda a minha vida, mas que por isso mesmo, tinha sido suficiente. Sabia que quem tu mais tinhas amado até hoje, tinha feito de ti os seus gemidos naquele quarto.
Aí, a imagem eterna que me ficou na memória. Nossos corpos gelados, o teu beijo quente e perfeito, e o teu grito preso abaixo da minha cintura. Encostado à cama descansava o teu amor material, a tua música por cordas rodeada de um negro falso.
Sentia-te.
Acordei, tentei voltar ao sonho, inutilmente. A cama estava vazia, não havia vestígio de teu sangue. Mas se eu fechar os olhos, imaginar o fumo ardente a querer cegar-me, e sentir o delicioso sabor do teu pescoço, vejo-te comigo.

Há correspondência com a evasão

Gente que corre num sentido, como se uma torrente amarga pré-destinada fosse.
Que quadro belo.
Todos têm pressa, todos aceleram o passo efeverscente, no intuito de encontrar um lugar sentado, longe do gordo peludo que tresanda a presunto fresco.
Todos querem chegar, todos se sentem importantes.
Todos se sentem eles mesmos, todos pensam que são, ou pelo menos pensam que pensam que alguma vez o foram.
Todos esperam pela sua chegada.
Pelo seu barulho carregado de óleo acre e entranhante.
Ele chega, com o seu característico som aveludado. Todos se chegam à frente, todos esperam que os anteriores sigam o seu destino, todos estão preparados para entrar e seguir.
E eu, morta de cansaço pela minha recente vida de monge, deixo-me adormecer até à ultima estação, tentando evitar os que me pedem para alimentar a sua desgraçada e ilusória vidinha miserável.


"Existe sempre, em cada um de nós, uma religiosidade, mesmo em quem se considera ateu. É uma questão civilizacional, que se desvenda em aspectos tão prosaicos como acordarmos todos os dias com a certeza de que vamos encontrar o mundo igual ao que deixámos no dia anterior. Apesar de nada nos garantir que assim seja, senão a crença, uma palavra em tudo semelhante à palavra fé."


José Luís Peixoto

Futuro

Angústia
Cobardia
Medo
Ânsia
Lágrima
Sangue
Ardor
Palpitação
Arritmia
Hiper-actividade
Choro
Pudor
Tristeza
Esperança
Silêncio
Suavidade
Carência
Raiva
Tortura
Excentricidade
Critica
Porcaria
Margaridas
Mentira
Azul
Controle
Atalhos
Ambição
Calor
Risadas
Paineis
Velocidade
Correspondência
Transporte
Doença
Miséria
Sono
Roubo
Sonho
Cansaço
Chuva
Pensamentos
Pressa
Sobreposição
Entendimento
Transparente
Tempo
Pedir
Sentar
Simplificar
Optimizar
Pensar
Acalmar
e
Esperar.

Momentos de prazer


Enquanto o ontem e o amanhã se cruzam, o sangue que nos devora a capacidade de brilhar baralha-nos com as suas inacessíveis teclas.
Nenhures soltos pelas acres mãos cansadas do trabalho que outrora ansiaram.
O silêncio que tarda.
Choros de crianças pelo mundo! Pedidos de amor... de interesse.
Valsas ternurentas, vestidos rasgados com um leve aroma a amora.
O cimento do futuro, o sangue novo a que aspiramos torna-nos nos criadores das nossas próprias mãos. Onde o trabalho volta a ser suavemente agarrado com ânsia.
E aí, o silêncio volta, o amanhã troca de lugar com o hoje, e nós sentimos o passar da capacidade de brilhar.

Hapiness upon my soul

Colocada
0902 Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
LISBOA
0870 Ciência Política e Relações Internacionais
Licenciatura

A quem me apoiou e felicitou pelo meu esforço:
... from the heart.


Beijo especial a mylostwords. =)

Volúpia (en)cena



Krip: um dia escrever-te-ei uma carta com o teu sangue
pacith: sempre nos julguei unos
pacith: da mesma forma que quando provo o meu sangue, provo o teu
Krip: eu não
Krip: o que corre nas minhas veias não é sangue
Krip: é água
Krip: só assim consigo ter o coração gelado
pacith: que mentiroso...
pacith: =)
pacith: bem, vou-me de vez
Krip: deixo-te uma frase minha
Krip: Reino sobre o teu corpo, reinas sobre a minha mente.
pacith: pudesse eu fazê-lo
pacith: ...
Krip: engana-te
Krip: ilude-te
pacith: contigo não.
pacith: se o fizesse, estaria a corromper a tua identidade.
pacith: tornar-te-ia num qualquer.
pacith: Não o és, nunca o foste.
pacith: És. Sou sendo contigo. E por isso mesmo. Somos.
Krip: sê-lo-ei?
Krip: Não. Amanhã já não o és. Já o foste. Já não sentes. Mentes

Poesia



A poetização das palavras deixou o seu momentâneo aroma a baunilha pela minha casa.
E como sempre, adorei.
Espero o teu quente regresso, para que a volúpia inocente deixe congelar a imagem das luzes cegantes do palco.
Que a grandeza e altivez regresse de uma vez!
Que o alcatrão nos coma os restantes pedaços de carne!
Que haja vida!