Crenças


"Sonhei (comigo).
Invadiste a minha falsa privacidade e assombraste o que poderia ser tristemente belo.
Acreditei (em ti).
Na tua veracidade pouco credível.
Mea culpa, sempre gostei de uma pitada irreal.
Cravei o teu nome na minha eternidade, com uma peréne troca de sanguíferidade.
Não me imitaste os gestos, para meu agrado.

(...)
Sometimes you pray..."

(texto dedicado a Tânia aka death_angel)

Arrepio

O fumo ardente que eu usava para evadir a minha alma podre, ofuscou-me por completo. Fatum ou não, olhei para ti por entre outras cabeças que se atravessavam entre nós. Não te vi como antes, como éramos antes.
Estavas doentio, indagado pela tua sabedoria solene. Eras um bicho amedrontado que evitou tudo o que o rodeava. Estavas angustiante, com um ar de cansaço transcendentemente poético, e por isso mesmo nesse momento te amei. Porque como sabes, eu não amo pessoas, sequer sentimentos, mas apenas momentos em que pessoas se tornam inconscientemente poéticas, como tu o havias sido nessa noite.
O breve olhar que havia raspado pela tua deliciosa nuca fez-me perder tudo o que havia ganho numa semana de must we. O teu corpo cravado com laivos do meu fumo ardente, e a tua pequena grandiosidade, fizeram-me gritar para o meu interior. Ouvia-te no meu eco, como se meu amante fosses, até à exaustão.
Até que o fumo se esfumou da minha vista azulada, e eu voltei a sentir-me como antes.
O resto da noite foi enganada por outra personagem bravia, mais um condenado à escravidão. Mal sabia que o entretenimento amado que sentia ainda se baseava na altivez da tua presença, no amor que me havia penetrado o inconsciente.
A noite ainda gritava por mim, mas decidi deitar-me. Enquando os meus estímulos visuais se diluiam no mosaico de imagens que havia apreendido nessa noite, relembrei com gosto a conversa deliciosa com o escravo. Mas mais tarde, quando os morcegos me mordiam os pulsos na busca de conhecimento, lembrei-te de novo.
No meio do meu tumulto diário apareceste, e decidimos fugir. Refugiámo-nos na maior viagem telepática que até hoje conhecia, e naquele limite, uma nuvem de fumo ardente nos trespassou o olhar.
Quando voltámos a sentir visualmente, vi-te a cobrir o meu corpo gelado com o teu corpo contrastante. Estavamos no teu quarto, onde só havia estado uma vez em toda a minha vida, mas que por isso mesmo, tinha sido suficiente. Sabia que quem tu mais tinhas amado até hoje, tinha feito de ti os seus gemidos naquele quarto.
Aí, a imagem eterna que me ficou na memória. Nossos corpos gelados, o teu beijo quente e perfeito, e o teu grito preso abaixo da minha cintura. Encostado à cama descansava o teu amor material, a tua música por cordas rodeada de um negro falso.
Sentia-te.
Acordei, tentei voltar ao sonho, inutilmente. A cama estava vazia, não havia vestígio de teu sangue. Mas se eu fechar os olhos, imaginar o fumo ardente a querer cegar-me, e sentir o delicioso sabor do teu pescoço, vejo-te comigo.

Há correspondência com a evasão

Gente que corre num sentido, como se uma torrente amarga pré-destinada fosse.
Que quadro belo.
Todos têm pressa, todos aceleram o passo efeverscente, no intuito de encontrar um lugar sentado, longe do gordo peludo que tresanda a presunto fresco.
Todos querem chegar, todos se sentem importantes.
Todos se sentem eles mesmos, todos pensam que são, ou pelo menos pensam que pensam que alguma vez o foram.
Todos esperam pela sua chegada.
Pelo seu barulho carregado de óleo acre e entranhante.
Ele chega, com o seu característico som aveludado. Todos se chegam à frente, todos esperam que os anteriores sigam o seu destino, todos estão preparados para entrar e seguir.
E eu, morta de cansaço pela minha recente vida de monge, deixo-me adormecer até à ultima estação, tentando evitar os que me pedem para alimentar a sua desgraçada e ilusória vidinha miserável.


"Existe sempre, em cada um de nós, uma religiosidade, mesmo em quem se considera ateu. É uma questão civilizacional, que se desvenda em aspectos tão prosaicos como acordarmos todos os dias com a certeza de que vamos encontrar o mundo igual ao que deixámos no dia anterior. Apesar de nada nos garantir que assim seja, senão a crença, uma palavra em tudo semelhante à palavra fé."


José Luís Peixoto

Futuro

Angústia
Cobardia
Medo
Ânsia
Lágrima
Sangue
Ardor
Palpitação
Arritmia
Hiper-actividade
Choro
Pudor
Tristeza
Esperança
Silêncio
Suavidade
Carência
Raiva
Tortura
Excentricidade
Critica
Porcaria
Margaridas
Mentira
Azul
Controle
Atalhos
Ambição
Calor
Risadas
Paineis
Velocidade
Correspondência
Transporte
Doença
Miséria
Sono
Roubo
Sonho
Cansaço
Chuva
Pensamentos
Pressa
Sobreposição
Entendimento
Transparente
Tempo
Pedir
Sentar
Simplificar
Optimizar
Pensar
Acalmar
e
Esperar.

Momentos de prazer


Enquanto o ontem e o amanhã se cruzam, o sangue que nos devora a capacidade de brilhar baralha-nos com as suas inacessíveis teclas.
Nenhures soltos pelas acres mãos cansadas do trabalho que outrora ansiaram.
O silêncio que tarda.
Choros de crianças pelo mundo! Pedidos de amor... de interesse.
Valsas ternurentas, vestidos rasgados com um leve aroma a amora.
O cimento do futuro, o sangue novo a que aspiramos torna-nos nos criadores das nossas próprias mãos. Onde o trabalho volta a ser suavemente agarrado com ânsia.
E aí, o silêncio volta, o amanhã troca de lugar com o hoje, e nós sentimos o passar da capacidade de brilhar.

Hapiness upon my soul

Colocada
0902 Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
LISBOA
0870 Ciência Política e Relações Internacionais
Licenciatura

A quem me apoiou e felicitou pelo meu esforço:
... from the heart.


Beijo especial a mylostwords. =)

Volúpia (en)cena



Krip: um dia escrever-te-ei uma carta com o teu sangue
pacith: sempre nos julguei unos
pacith: da mesma forma que quando provo o meu sangue, provo o teu
Krip: eu não
Krip: o que corre nas minhas veias não é sangue
Krip: é água
Krip: só assim consigo ter o coração gelado
pacith: que mentiroso...
pacith: =)
pacith: bem, vou-me de vez
Krip: deixo-te uma frase minha
Krip: Reino sobre o teu corpo, reinas sobre a minha mente.
pacith: pudesse eu fazê-lo
pacith: ...
Krip: engana-te
Krip: ilude-te
pacith: contigo não.
pacith: se o fizesse, estaria a corromper a tua identidade.
pacith: tornar-te-ia num qualquer.
pacith: Não o és, nunca o foste.
pacith: És. Sou sendo contigo. E por isso mesmo. Somos.
Krip: sê-lo-ei?
Krip: Não. Amanhã já não o és. Já o foste. Já não sentes. Mentes

Poesia



A poetização das palavras deixou o seu momentâneo aroma a baunilha pela minha casa.
E como sempre, adorei.
Espero o teu quente regresso, para que a volúpia inocente deixe congelar a imagem das luzes cegantes do palco.
Que a grandeza e altivez regresse de uma vez!
Que o alcatrão nos coma os restantes pedaços de carne!
Que haja vida!

The Patient

A groan of tedium escapes me, startling the fearful.
Is this a test?
It has to be. Otherwise I can't go on.
Draining patience. drain vitality.
this paranoid, paralyzed vampire act's a little old.

But I'm still right here, giving blood and keeping faith. And I'm still right here.
But I'm still right here, giving blood and keeping faith. And I'm still right here.

I'm gonna wait it out

If there were no rewards to reap,
no loving embrace to see me through this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.

I'm gonna wait it out

If there were no desire to heal
The damaged and broken met along this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.

I still may. And I still may.
Be patient.

I must keep reminding myself of this...

If there were no rewards to reap,
no loving embrace to see me through this tedious path I've chosen here,
I certainly would've walked away by now.
And I still may. And I still may. And I still may.

I'm gonna wait it out.
I'm gonna wait it out.
Gonna wait it out.
Gonna wait it out.

Amarga eternidade

Os desejos secretos da natureza juntaram todas as ferramentas possíveis para que te criassem. As fadas e borboletas trabalharam até à exaustão, trocando muitas delas a sua vida pela tua. A perfeição que te concederam tornou-se tão ingrata que ainda hoje ofereces as tuas lágrimas aos pequenos pedaços de terra que persistem neste mundo de betão. O teu cheiro de beleza, o teu sabor de romã deixam-me acreditar que existem almas perfeitas e gémeas.
Somos irmãos do amor, primos da paixão, amantes do dissabor.
A distância a que se nasce do amor perfeito faz-nos pensar sempre se é realmente perfeito, se não será apenas mais uma miragem do alcatrão quente que nos (me) persegue. O sonho que me move a procurá-lo não o será com certeza. O meu mundo ordena que sejas abraçado pela minha carne sustentada por estilhaços cortantes do tempo e do vento. Mas o teu, onde a Primavera feliz sempre persistiu, ignora a irmandade do ódio que se havia gerado entre as borboletas e fadas. Nasceste perfeito, mas marcado pela morte e sacrifício das pequenas criaturas escravizadas e belas. E o seu sangue, ainda correndo nas tuas veias frescas e puras, apenas te condena ao eterno movimento doloroso de procurar a tua essência.
Afinal de contas, as almas gémeas foram feitas para nunca se juntarem.

"Orestes"

Metaphor for a missing moment
Pull me into your perfect circle

One womb
One shape
One resolve

Liberate this will
To release us all

Gotta cut away, clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue that's
Keeping me from killing you

And from pulling you down with me in here
I can almost hear you scream

Give me
One more medicated peaceful moment
One more medicated peaceful moment

And I don't wanna feel this overwhelming
Hostility
Because I don't wanna feel this overwhelming
Hostility

Gotta cut away Clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue
Gotta cut away Clear away
Snip away and sever this
Umbilical residue that's
Keeping me from killing you
Keeping me from killing you

(from me to you)

Adeus

Escrevo-vos com a maior raiva que possa existir.
Se a tristeza de olhar os outros a brincar por uma janela ainda me atormentasse, tinhas morrido. Sim, porque a minha sede de acabar com o que foi criado tinha estagnado, até tu reacenderes a chama do crime.
Andei anos à procura da pessoa perfeita para matar, mas todos me pareciam presas fáceis de mais. Hoje encontrei-a. Tu, porque apesar de perto, sempre estiveste longe; e apesar da ajuda, sempre trepaste por quem podias. Tu e os teus, que ainda hoje me perturbam com a sua pobre grandeza, são a medíocres de mais para me sujar.
Não sei se escreverei por muito mais tempo, apesar de cada vez mais desejar fazê-lo. A tortura do oportunismo deixou de resultar, falhaste.
Choro, pois mudaste o meu futuro. E por mais chicoteada que seja, tu serás sempre mais, pois já era altura de entenderes que o dinheiro não é grandeza.
Posso não ser recheada de ouros, mas não estou consumida pelo mesmo.
Fecha a porta, mas nunca a voltes a abrir. Nem que morras.

Inverno

A saudade do gelo lembra-te. Assim como as queimaduras que o sol me deixou por vingança da minha ausência.
Os segredos que ainda me dizes são inconfidências relembradas, per guisa da tua brisa gelante de mentirosa que me desassosega o pescoço, mas que me recorda do teu glorioso regresso.
Todos te julgam entediante, mas eu conheço a tua essência: destruír o reino de fogo. Para depois, quando todos já estiverem habituados à tua coercividade, te ires, deixando a saudade dos pensamentos alvos.
Mas eu sei que por mais que tentes fugir, voltarás. E contigo, voltarão muitos outros, quer sejam eles heróis ou desgraçados.

Porque é que no silêncio da noite, nos assusta falar em voz alta?

" Mergulhados no silêncio nocturno, sentimo-nos não existir. O que existe é como que o absoluto do mundo, a presença aguda das coisas. O universo aguarda a vinda do primeiro homem. E subitamente gritamos: «Eu estou vivo, EU SOU.» E falamos connosco, fazemo-nos perguntas. Sobe-nos então à garganta uma surpresa de terror: «Quem sou eu? Quem está aqui comigo?» Dá vertigens. É como se nos aparecesse um fantasma e estivesse dentro de nós e fosse alguém a mais e visse pelos nossos olhos e falasse pela nossa boca. Só os doidos falam sozinhos, porque nãp têm medo. O mundo para eles não existe: só existe a sua loucura. Por isso nós, se falamos, nos sentimos doidos, separados subitamente do mundo. O que existe não é o quarto onde entamos, os livros, a noite; o que existe é este vulcão brutal que sai de nós, o jacto do deus que nos habita, esta montruosidade que nos adormecia dentro. "


Vergilio Ferreira- Aparição

Citizen Erased

Break me in,
Teach us to cheat
And to lie, cover up
What shouldn't be shared?
All the truth unwinding
Scraping away
At my mind
Please stop asking me to describe him

For one moment I wish you'd hold your stage
With no feelings at all
Open minded
I'm sure I used to be so free

Self expressed, exhausting for all
To see and to be
What you want and what you need
The truth unwinding
Scraping away
At my mind
(Muse)

O Passo

Esse nome estava agora derramado com o meu proprio sangue, parecia que não queria sair dali,como se ali pertencesse, como se ali fosse o seu lugar. Começava a ficar quente, fervia levando o meu nome consigo, por breves segundos o meu nome tinha desaparecido, sem deixar rasto, apenas restava uma fria e dura camada de ferro.
Que teria acontecido ali, porque estaria o meu nome ali sepultado num momento e noutro teria desaparecido...? Que significaria aquilo...?
É nesse preciso momento de ansiedade que a porta se abre, engulo o meu coração bem fundo e dou um passo em frente...

Cordas vermelhas

Medo.
De falhar,
de cantar,
de saltar.

Alguma vez sentiste a falta de ter poder de eliminar qualquer um? Fulminá-los a todos os que se julgam altos e grandes, os que te ignoram e irritam por fazerem-o.

Medo.
De sentir,
de rejeitar,
de amar.

Pensa em cada dia que viveste, assim como cada segundo. Consegues? Eu consigo. Talvez seja mesmo esse o problema, pois raramente me esqueço e/ou surpreendo.

Medo.
De brincar,
de esquecer,
de mandar tudo para o canto mais esquecido do planeta mais longínquo e não-descoberto.

Alguma vez quiseste ter as mãos sujas de sangue, e não o fazeres por consciência de outrem?

Medo.
De tudo,
de nada,
da vida,
da não-vida,
da morte, quer seja tua, quer seja minha.

Será que cada vez que tento tenho de te ter?

Medo.
De ser-te,
de ser-me,
de ser Lilith,
ou alguma personagem numa caverna.

O teu corpo consa-se com a luz? A tua ignorância pouco te chateia, pois todos a amam.

Medo.
De portas,
de paredes,
de prisões.

À tua frente existem mais que faces disformes e degradantes? Não?
A tua curiosa mania de ser ignorado traz-te benefícios?

Medo.
De não conseguir esquecer,
de não esquecer o medo,
de te esquecer,
de me esquecer.

Imaginas que a cada palavra tua, o mundo fica exactamente na mesma, do que se tivesses permanecido calado?

Medo.

A dor nas tuas mãos torna-te feliz? As palavras que carregas alguma vez se calaram?


Medo.
De cantar,
assobiar,
ou de me calar.

Já te sentiste doido, e quereres mudar? Já tentaste mandar o teu melhor amigo para a cadeia por um crime que tu próprio cometeste?

Medo.
De ser livre,
de chorar,
de abrir um armário,
de estragar o que construíram.

A minha cabeça rodopia e rebenta.
e eu gosto.

Medo.
De não de amar
e de te amar.

Já pensaste que cada palavra tua é para mim um desejo de morte?

Rio-me.
Afinal não é medo, mas apenas a minha forma de vida.

O Rio

Como eu odeio este sofrimento,
Esta dor cá dentro,
Correndo nas minhas veias,
Como águas alheias.

A Aparição

O sol fugiu-me. Vagueio por estas ruas lisboetas, em que a única presença é a luz ensurdecedora dos candeiros mal acesos. O constante ressonar da revolução industrial ateima em esmagar os sentimentos intelectuados, os que ainda persistem na minha sombra coberta de cinza, destruída por chuvas dissolventes.
Onde de dia se veem quadrados reluzentes e ignorados, de noite vejo amigos e promessas vazias. Cada pedra é um polegar sanguífero e irónico, erecto perante a minha incompetência. O meu sorriso impulsivo renega toda esta imaginação inútil.

- Calma, são apenas sombras que assassinam todos os nossos desejos e ambições. Fazem-nos tomar conta da nossa pequena (grande) importância.