Estar sentado, querer levantar e n poder, porque o querer não o deixa, pois não quer. Pensar em todas as pessoas que se ama e pensar que nos odeiam. Encontrar a nossa salvação onde não existe. Entrar em desespero. Procurar o inexistente, e esquecê-lo porque nunca existiu. Correr parado. Chorar intensamente e parar. Começar de novo a chorar. Sentir o peito a explodir por alguém que nos dê uma palavra, e se der, chora-se de novo.
Até que o corpo dorme, e tudo passa.
Prenúncio
Estava rodeada por todos que fazem parte de meu mundo na beira de um abismo. Incrivelmente onde os outros viam queda e morte, eu o mar e a vida. Corremos todos à volta de uma ilha de betão que após três voltas nos ofereceu uma saída. Um espaço fechado, de sonho. Foi como se estivesse num bar negro, incrivelmente semelhante som o cabalismos nas suas temáticas. Mas lá, no chão castanho e irregular, não havia códigos, conhecimentos, ou inteligência. Apenas sentimentos. à entrada fomos revistados e fui projectada para uma parede dura que me magoou o pensamento. Puzemos as mãos nos bolsos e reparámos que tinhamos perdido todas as lembranças e problemas. Éramos o que sentiamos.
Sentei-me num canto, embrulhada a um cobertor pelo frio que ainda vinha do abismo, ainda via o meu sentir pensante, e chorava por ele. Tu chegaste, dobraste o teu corpo para me conseguires olhar nos olhos sem esforço. Rimos, brincámos noutra dimensão transmitida pelo olhar. Abandonámos os corpos por segundos eternos, e quando regressámos tinhamos os lábios sequiosos. Um impulso, um sentimento, um beijo leve e eterno. Abrimos os olhos ainda colados e vi que era um prenúncio.
Pensámos e fomos expulsos. Retornados para o abismo inicial. Lá, um velho barrigudo olhava para o nada e chorava invisivelmente. Estava sentado numa cadeira de praia, mais um que via o mar...
Éramos três num areal só nosso, eu-eu, eu-frustrado, eu-glorioso.
Sentei-me num canto, embrulhada a um cobertor pelo frio que ainda vinha do abismo, ainda via o meu sentir pensante, e chorava por ele. Tu chegaste, dobraste o teu corpo para me conseguires olhar nos olhos sem esforço. Rimos, brincámos noutra dimensão transmitida pelo olhar. Abandonámos os corpos por segundos eternos, e quando regressámos tinhamos os lábios sequiosos. Um impulso, um sentimento, um beijo leve e eterno. Abrimos os olhos ainda colados e vi que era um prenúncio.
Pensámos e fomos expulsos. Retornados para o abismo inicial. Lá, um velho barrigudo olhava para o nada e chorava invisivelmente. Estava sentado numa cadeira de praia, mais um que via o mar...
Éramos três num areal só nosso, eu-eu, eu-frustrado, eu-glorioso.
Que procuro?

foto de Carlos Carreto
Ouço uma voz ao longe, numa gargalhada discreta e mentirosa. Ouço com atenção o que ela me transmite, até que o eco se esvaneça pelo ar que respiramos.Vejo uma imagem muda, de um antigo pedido de complacência, com o qual ainda sonho.
Sinto o olhar indeciso e trémulo de outrem que me fascina.
Ænema
Some say the end is near.
Some say we'll see armageddon soon. I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this bullshit three ring circus sideshow of Freaks
here in this hopeless fucking hole we call LA
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.
Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your hairpiece and
Fret for your lawsuit and
Fret for your prozac and
Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.
It's a bullshit three ring circus sideshow of freaks
here in this hopeless fucking hole we call LA.
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.
Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
Followed by faultlines that cannot sit still.
Followed by millions of dumbfounded dipshits.
Some say the end is near. Some say we'll see armageddon soon.
I certainly hope we will cuz I sure could use a vacation from this
Silly shit, stupid shit...
One great big festering neon distraction, I've a suggestion to keep you all occupied.
Learn to swim.
Mom's gonna fix it all soon. Mom's comin' round to put it back the way it ought to be.
Learn to swim.
Fuck L Ron Hubbard and Fuck all his clones. Fuck all those gun-toting Hip gangster wannabes.
Learn to swim.
Fuck retro anything. Fuck your tattoos. Fuck all you junkies and Fuck your short memory.
Learn to swim.
Fuck smiley glad-hands With hidden agendas. Fuck these dysfunctional, Insecure actresses.
Learn to swim.
Cuz I'm praying for rain and I'm praying for tidal waves I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom please flush it all away.
I wanna watch it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.
Time to bring it down again.
Don't just call me pessimist. Try and read between the lines.
I can't imagine why you wouldn't
Welcome any change, my friend. I wanna see it all come down. suck it down. flush it down.
thank U
Some say we'll see armageddon soon. I certainly hope we will.
I sure could use a vacation from this bullshit three ring circus sideshow of Freaks
here in this hopeless fucking hole we call LA
The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.
Fret for your figure and
Fret for your latte and
Fret for your hairpiece and
Fret for your lawsuit and
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Fret for your pilot and
Fret for your contract and
Fret for your car.
It's a bullshit three ring circus sideshow of freaks
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The only way to fix it is to flush it all away.
Any fucking time. Any fucking day.
Learn to swim, I'll see you down in Arizona bay.
Some say a comet will fall from the sky.
Followed by meteor showers and tidal waves.
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Followed by millions of dumbfounded dipshits.
Some say the end is near. Some say we'll see armageddon soon.
I certainly hope we will cuz I sure could use a vacation from this
Silly shit, stupid shit...
One great big festering neon distraction, I've a suggestion to keep you all occupied.
Learn to swim.
Mom's gonna fix it all soon. Mom's comin' round to put it back the way it ought to be.
Learn to swim.
Fuck L Ron Hubbard and Fuck all his clones. Fuck all those gun-toting Hip gangster wannabes.
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Learn to swim.
Fuck smiley glad-hands With hidden agendas. Fuck these dysfunctional, Insecure actresses.
Learn to swim.
Cuz I'm praying for rain and I'm praying for tidal waves I wanna see the ground give way.
I wanna watch it all go down.
Mom please flush it all away.
I wanna watch it go right in and down.
I wanna watch it go right in.
Watch you flush it all away.
Time to bring it down again.
Don't just call me pessimist. Try and read between the lines.
I can't imagine why you wouldn't
Welcome any change, my friend. I wanna see it all come down. suck it down. flush it down.
thank U
Debaixo da língua e na ponta dos dedos
Sinceridade said:
O meu avatar... foi um cromo que tirou uma foto dentro do carro,
Sinceridade said:
um português que não faz nada.
Sinceridade said:
(...) o cromo que tirou a foto fui eu.
Mentira said:
Não gosto de fotos minhas,
Mentira said:
estranhamente só gosto daquelas em que não pareço eu.
Sinceridade said:
Estranho...
Sinceridade said:
Eu já tive menos auto-estima.
Mentira said:
Todos nós temos fases: eu desde há uns meses estou quase que como num patamar acima do carnal...
Mentira said:
Gosto de mim, sinto o "poder" que tenho...
Sinceridade said:
Mas não me parece que seja apenas uma fase, até porque continuo a não ter auto-estima.
Mentira said:
Se pudesses mudar... mudavas?
Sinceridade said:
Sim.
Mentira said:
Mas tudo está nas tuas mãos : se queres mudar, podes mudar.
Sinceridade said:
É dificil uma pessoa mudar, pois és sempre tu.
Sinceridade said:
não mudas assim sem mais nem menos...voltas sempre ao normal porque simplesmente não estavas a ser tu.
Sinceridade said:
Principalmente quando psicológicamente a pessoa já está estável, já está formada...
Mentira said:
É claro que toda a gente tem traços que não mudam...
Mentira said:
Há quem chame de personalidade, eu chamo comodismo.
O meu avatar... foi um cromo que tirou uma foto dentro do carro,
Sinceridade said:
um português que não faz nada.
Sinceridade said:
(...) o cromo que tirou a foto fui eu.
Mentira said:
Não gosto de fotos minhas,
Mentira said:
estranhamente só gosto daquelas em que não pareço eu.
Sinceridade said:
Estranho...
Sinceridade said:
Eu já tive menos auto-estima.
Mentira said:
Todos nós temos fases: eu desde há uns meses estou quase que como num patamar acima do carnal...
Mentira said:
Gosto de mim, sinto o "poder" que tenho...
Sinceridade said:
Mas não me parece que seja apenas uma fase, até porque continuo a não ter auto-estima.
Mentira said:
Se pudesses mudar... mudavas?
Sinceridade said:
Sim.
Mentira said:
Mas tudo está nas tuas mãos : se queres mudar, podes mudar.
Sinceridade said:
É dificil uma pessoa mudar, pois és sempre tu.
Sinceridade said:
não mudas assim sem mais nem menos...voltas sempre ao normal porque simplesmente não estavas a ser tu.
Sinceridade said:
Principalmente quando psicológicamente a pessoa já está estável, já está formada...
Mentira said:
É claro que toda a gente tem traços que não mudam...
Mentira said:
Há quem chame de personalidade, eu chamo comodismo.
obviamente adaptado
As quatro paredes do meu quarto-I
Apesar de me terem, sentem a falta de outros que ainda não passam de um "eu" deles.
"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."
Carlos(O cantinho dos segredos)
"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."
Carlos(O cantinho dos segredos)
Roubando a identidade alheia
Acordei.
Tenho uma necessidade intrínseca de me expressar, mas desta vez de forma minha. Cansei-me de plagiar os sentimentos, falavras, euforias e comportamentos de outrem. Não sou Krip para conseguir expressar a minha sinestesia de forma completa e inovadora. Muito menos serei mylostwords, transmitindo anarquicamente a realidade chocante e dolorosa. Death_angel? Nunca soube mostrar com sentimento o que vejo, as minhas mãos são incoerentes nesse processo. Queria conseguir encontrar o fio condutor por dicionários e raciocínios. Perdoem-me, mas não sou OpenMind. Tento por vezes ser irreverente, enganar os olhares com verdades, mas sou uma cópia barata de Rêverie 7. Gostava de ser imaginativa como Dark-Templar, e mais uma vez o "mas"...
Escrevo apenas o que sou, e deste modo sou o que escrevo. Falem, critiquem, ignorem... eu gosto =)
Não consigo adormecer...
Tenho uma necessidade intrínseca de me expressar, mas desta vez de forma minha. Cansei-me de plagiar os sentimentos, falavras, euforias e comportamentos de outrem. Não sou Krip para conseguir expressar a minha sinestesia de forma completa e inovadora. Muito menos serei mylostwords, transmitindo anarquicamente a realidade chocante e dolorosa. Death_angel? Nunca soube mostrar com sentimento o que vejo, as minhas mãos são incoerentes nesse processo. Queria conseguir encontrar o fio condutor por dicionários e raciocínios. Perdoem-me, mas não sou OpenMind. Tento por vezes ser irreverente, enganar os olhares com verdades, mas sou uma cópia barata de Rêverie 7. Gostava de ser imaginativa como Dark-Templar, e mais uma vez o "mas"...

Escrevo apenas o que sou, e deste modo sou o que escrevo. Falem, critiquem, ignorem... eu gosto =)
Não consigo adormecer...
Deep water
Ouço a tua realidade muda, submersa por milhões de sonhos que nem sequer meus são. Fecho os olhos e não durmo, abro-os, e não vejo. Os meus pés não sentem o chão que sempre ambicionaram. É ridículo ver-me a palpar o inexistente, um líquido transparente que nem a dor ressalva. E os meus olhos cansados continuam a nadar pelos pensamentos perdidos num espaço claro, mas falso. O bater do meu coração oscila conforme os ataques de pânico que tenho, assim como os meus pensamentos flutuantes que num corpo nú e pesado se rendem a cada litro que me acompanha. A paciência desapareceu, resta um amontoado de natureza que por ali se entretém. Apenas os meus olhos abertos debaixo de água tentam ver mais além de uma cegueira comum, que me atormenta a cada dia. Vivo submersa, longe dos problemas da realidade...
Som das profundezas
Estou embriagada por sinestesias alheias. Olho em volta e vejo uma multidão em êxtase, e preocupo-me com o que lhes provoca tanta dor. Corpos que se debatem e chocam, provocando uma chuva de pequenas gotas de sangue pela zona onde me encontro. Um barulho ensurdecedor relembra-me a guerra, pois são ouvidas explosões de piroclastos invisíveis que penetram e revoltam todas as almas. Tudo pára. Erguem-se os gritos da humanidade perante a ausência de som.
De novo o semáforo abre: os gritos regressam à superfície e os sorrisos falsos e feios das gentes regressam. A guerra continua, assim como o banho de sangue a que me sinto exposta. Lá à frente, abençoados pelo senhor sol encontram-se novas dimensões vindas do interior da terra.
Os olhos críticos dos velhos do Restelo chamam-lhe Vozes do Diabo, em contraste com as mentes dissipadas no acontecimento, que lhe chamam de música.
De novo o semáforo abre: os gritos regressam à superfície e os sorrisos falsos e feios das gentes regressam. A guerra continua, assim como o banho de sangue a que me sinto exposta. Lá à frente, abençoados pelo senhor sol encontram-se novas dimensões vindas do interior da terra.
Os olhos críticos dos velhos do Restelo chamam-lhe Vozes do Diabo, em contraste com as mentes dissipadas no acontecimento, que lhe chamam de música.
Fall into the sky
Each and everyday we die.
Falling so softly into the sky
The pain and sufferingt we feel,
cuts to the bone, a clean cut of steel.
Try to love and try to live.
Asking for something you could never give.
Death now a friend to me,
showing me what I should see.
My soul has begun to slip awaywhere
I'm going I shall stay.
Apart from all of you,
I was one torn in two.
I loved you all until the end.
But the wounds you gave will never mend.
I think today I will die.
Let myself go as I fall into the sky.
Falling so softly into the sky
The pain and sufferingt we feel,
cuts to the bone, a clean cut of steel.
Try to love and try to live.
Asking for something you could never give.
Death now a friend to me,
showing me what I should see.
My soul has begun to slip awaywhere
I'm going I shall stay.
Apart from all of you,
I was one torn in two.
I loved you all until the end.
But the wounds you gave will never mend.
I think today I will die.
Let myself go as I fall into the sky.
Rod Ferrell

(The Vampire Clan)
Excerto
Dirigi-me confiante à biblioteca, mas ao lá chegar toda a minha confiança desapareceu num vago ápice derivado do facto de estar encerrada. Nem sequer me tinha apercebido do passar das horas enquanto tinha estado sentada no degrau que antecede a porta da minha residência, reflectindo sobre tudo aquilo. Já era tarde para que tal edifício permanecesse aberto, mas mesmo assim tentei abrir a porta numa tentativa falhada. Então olhei para cima, pondo o meu corpo paralelo à parede à qual se situava a porta que eu tanto ansiava que fosse aberta, e o tempo parou. Aquelas paredes amareladas pela longevidade dos anos, aquelas varandas com um aspecto actual, mas degradado pelos agentes erosivos, as listas brancas que circulavam em volta das janelas, portas e recantos, fizeram com que tudo o que tinha acontecido parecesse um sonho parvo de uma criança, e que a qualquer momento iria acordar, mas infelizmente não. Senti uma enorme força a me puxar contra a tal porta, uma angústia característica, uma estranha saudade de tudo e de nada, uma junção de pecados capitais que faziam de mim e de todo o ser humano uma pessoa cruel. Passei a ver as ruas macadamizadas com outros olhos: pareciam sofridas, desamparadas, melancólicas e imensamente sábias. Senti uma estranha amizade por tudo o que me rodeava e deixei-me cair num infinito que se abrira bem diante de meus pés, e que para o qual tomei a decisão de entrar, com o característico medo do desconhecido, e com toda a maldade humana que em todos está adormecida. O chão deixara de existir e apenas um intenso negrume me acolhia profundamente. Chorei lágrimas de sangue por tudo o que vivia e por tal descia mais e mais profundamente, sentido o ar e o barulho de uma cidade, na qual todos são um mero número, menos eu. Entrei em pânico e comecei então gritar silenciosamente, desejando morrer, querendo deixar este mundo que a todos engana com doces, mas que a todos atraiçoa pelas costas. Gostas?- ouvi. Gostas?- de novo ouvi.
In morte vivida
Altruísmo ingénuo
" Olhei-te e tive pena de não te poder sentir, pois dei-te a quem tu querias realmente possuir.
Adoraria dominar os teus sentidos, mas se o fizesse, não serias tu.
-Hoje de noite leva-me para sítios que odeio, para que te possa repugnar e deixar de amar "
Adoraria dominar os teus sentidos, mas se o fizesse, não serias tu.
-Hoje de noite leva-me para sítios que odeio, para que te possa repugnar e deixar de amar "
Meine Moment
Quase chorava de ansiedade, mas consegui conter-me, pois naquele palco onde tinham sido partilhadas tantas emoções, eu não podia falhar. Lá pelos corredores ouviam-se desejos de merda, e eu continuava na companhia de mim mesma, na tentativa de me concentrar e me tornar num quadro em branco. As palavras que iria repetir tinham sido escritas por mim, a música de entrada também, mas mesmo assim, tinha medo. Num ápice olho para a outra ponta do pano, onde se encontrava uma personagem por mim criada. Ouço as pancadas de Molière. As lágrimas caem pelo meu rosto de felicidade, mas rapidamente me componho para não pôr em causa a qualidade da minha expressão vocal. Nas 7 pancadas choro, nas 3 recomponho-me, e na última, sinto-me realmente eu. Ouço um bichanar do outro lado do pano, pois a sala está cheia e ansiosa. É dada a minha ordem de entrada e eu faço-o com toda a consolidez, apesar de não sentir o meu corpo e muito menos os meus pensamentos. Meine Moment...
6 de Junho de 2003
Complacência
Da minha boca apenas saem canções que sempre ouço quando me quero integrar no que me rodeia. Vejo uma folhinha caída e por tal instinto tento agarra-la, mas não consigo, pois não tenho braços para o poder fazer. É nestas alturas que gostava de ser como todos os outros, apesar de todos dizerem que o sou. Enquanto todos se preocupam em ser diferentes, eu apenas quero ser eu, dentro dos possíveis. A minha língua ainda não se habituou ao manjar que sou obrigada a engolir, como que palavras que nunca mais voltara a repetir.
O meu corpo moribundo...
Queria nadar, mas não consigo. Queria correr, mas apenas me limito a dar três passos de seguida. Agora, o meu corpo louro sandré apenas me deixa pensar e voar.
No horizonte observo um peixe que vive por entre o líquido, e rio-me. Abro as minhas asas e voo até ele, estralhaçando-o com as minhas garras e deglutindo-o com prazer.
1755
Sonho contigo, meu amor que esconde em cada utopia minha. A minha vida é vã quando te desprezo, apesar de admitir que o faça. Observo as imagens retidas na memória desfeitas numa neblina negra, anteriormente azul e posteriormente rosada. Sussurro ao teu ouvido que te quero para sempre e choro por nunca o ter dito antes. Risadas ingénuas que dou: sou parva, infantil, uma miúda que é feliz por entre montes e vales verdejantes existentes na tal utopia que tu coadjuvas. O sonho vai entrando numa fase descrente, em que o meu corpo quer ser consciente e eu não deixo, pois quero planar para todo o sempre apesar o conhecer impossível.
Um barulho atordoa-me e deixo o meu mundo fantástico: a cama treme, ouvem-se vidros partindo, gritos, choros de crianças, o choro não de uma, mas da criança. Da criança que tenho entre-braços que pede complacência de modo horrível. Os seus pais estão mortos, subterrados nesta imensidão de areia, pedra e sonhos. Vejo os relevos das almas a subirem, e contenho-me para não chorar: tenho de ser forte, tenho de me impôr, tenho de....
A tal criança escuta-me com atenção, continuando no cume verdejante que lhe anuncio apesar da sua constante descrença.
Olho para o chão e sinto os meus pés cortados por realidades que nem quero sentir. A minha seminudez não é causa de vergonha, mas de revolta, pois não tenho com que tapar a criança dos horrores da realidade que nos é exterior. É um ser puro, sem nome, sem memórias. E o real quer corromper a predestinação a que me tornei crédula. Abraço-a como que para sempre e cantarolo uma passagem do Danúbio Azul...
A minha calma suicidou-se, pois o meu amor desapareceu... sento-me neste chão inconstante e rebelo-me contra a mãe natureza. Ela matou-te, mas não me levou contigo. Apenas me deixou esta sensação característica de situação limite e uma criança.
Saio do meu refúgio para a rua. Vejo a morte a meu lado e corro até tropeçar e caír. Encontro uma catana, decerto que seria de algum escravo do feudalismo que já se libertara. Penso em matar-me, mas recuo, pois pensei em ti. A criança que trago nos braços não é minha, e muito menos nossa, contudo protejo-a da eternidade imortalizando-te nos seus pensamentos.
Sonho contigo, meu amor...
Um barulho atordoa-me e deixo o meu mundo fantástico: a cama treme, ouvem-se vidros partindo, gritos, choros de crianças, o choro não de uma, mas da criança. Da criança que tenho entre-braços que pede complacência de modo horrível. Os seus pais estão mortos, subterrados nesta imensidão de areia, pedra e sonhos. Vejo os relevos das almas a subirem, e contenho-me para não chorar: tenho de ser forte, tenho de me impôr, tenho de....
A tal criança escuta-me com atenção, continuando no cume verdejante que lhe anuncio apesar da sua constante descrença.
Olho para o chão e sinto os meus pés cortados por realidades que nem quero sentir. A minha seminudez não é causa de vergonha, mas de revolta, pois não tenho com que tapar a criança dos horrores da realidade que nos é exterior. É um ser puro, sem nome, sem memórias. E o real quer corromper a predestinação a que me tornei crédula. Abraço-a como que para sempre e cantarolo uma passagem do Danúbio Azul...
A minha calma suicidou-se, pois o meu amor desapareceu... sento-me neste chão inconstante e rebelo-me contra a mãe natureza. Ela matou-te, mas não me levou contigo. Apenas me deixou esta sensação característica de situação limite e uma criança.
Saio do meu refúgio para a rua. Vejo a morte a meu lado e corro até tropeçar e caír. Encontro uma catana, decerto que seria de algum escravo do feudalismo que já se libertara. Penso em matar-me, mas recuo, pois pensei em ti. A criança que trago nos braços não é minha, e muito menos nossa, contudo protejo-a da eternidade imortalizando-te nos seus pensamentos.
Sonho contigo, meu amor...
O lago dos cisnes
Meu palco de madeira, não sei que é isto que me rodeia.. ouço valsa num tom longínquo que me faz voar. Na altura em que me consigo libertar daquela espécie de jetlag per guisa de brisa cortante, o meu corpo move-se com graciosidade ao ritmo da valsa de Tchaikovsky. À minha frente estão centenas de pessoas que assistem a cada movimento meu, como que avaliadores natos dos erros que possa cometer. A cada nota, a minha elasticidade é notada, movo-me, rodopio, mais e mais...Difíceis sequências de passos clássicos de ballet assemelham-se a uma arquitectura dançada. Sou um edifício volátil que trás nas suas pontas a beleza do mundo, e por tal me denominaram Odette. Apenas a morte me trará a paz , daí a razão de o rio ser a meta do meu amor por Siegfried. Estico as minhas vértebras, contradigo a gravidade, saboreando cada nota e cada toque subtil de violino.
Os holofotes deixam de me ofuscar com o seu poder e a sala está vazia. Transformo-me num calendário inútil e banal.
20 de Novembro de 1976, Paris.
As quatro paredes do meu quarto-I
O meu quarto continua a ter a minha presença, mas ainda sente a falta de almas alheias, carregadas de mim e de si mesmas. Hoje sem nada a dizer, sem nada a sentir, transcrevo as palavras de um alguém muito especial :)
"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."
Carlos (O Cantinho dos segredos)
"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."
Carlos (O Cantinho dos segredos)
Let the demons decide my faith
Vou-me ausentar.. talvez uns dias, talvez umas horas, talvez para sempre. Começo a ver o sonho a cair, é ingrato ter consciencia do nosso esforço para conseguir um nada.. um mero número que me agonia e mata. Talvez fosse bom que matasse de vez. Dei o meu melhor, sei perfeitamente isso mesmo, e mais que isso sou cobrada pela minha incompetência, que para mim nem sequer o foi.
Recuso-me a desistir.
Recuso-me a desistir.
Queria amarrar-te e fazer-te sofrer tanto que desejasses mais que tudo que eu te matasse. Ao fim ao cabo seria uma forma de te aperceberes que querias viver, pois eu não te mataria. Nunca...
O Incessante
Escravidão que em minha alma penetra
Que suga as minhas profecias e cabalismos
Que vive... e deixa viver...
Cantando a imprevisibilidade repleta
De contradições de ser
És tu quem me canta a nova esperança negra!
A luz deixou de encher..
Assim como o negrume exaltado que me atormentava enfrentado
Apenas a permanência da ausência
A escravidão e dependência incandescente do ser...
Num ápice surge a correlação!
É a sinestesia idolatrada que me consome e que apela por complacência
Aparição num momento ansiado mas aos poucos esquecido
Que surgiste.. como um deus desconhecido e incessante
Dentro do meu sentir pensante
E do meu coração inoperante
Vivi a própria fantasia
Produzindo a existência
Toquei as inóspitas notas
De um momento de carência
Senti o sentir
Pensei o pensar
Fui o ser inexistente
E num ápice de contente
Deixei de o conter por sentir o pensar
Enquanto tentava amar...
Foi a utopia realizada
O oxímoro coerente
A fantasia convalescente
A proclamação por Epicuro e Zenão contrariada
Por isso nomeei de algo previsível
Personagem nas cinzas criada
Ansiando a chegada do império espiritual...
O anjo caído por muitas mãos
Repartido e em folhas expresso
Com um nome mudo e cansado
Com o tédio em si infiltrado
Sentindo a presença do inesperado
E esperando a incoerência do processo.
Que suga as minhas profecias e cabalismos
Que vive... e deixa viver...
Cantando a imprevisibilidade repleta
De contradições de ser
És tu quem me canta a nova esperança negra!
A luz deixou de encher..
Assim como o negrume exaltado que me atormentava enfrentado
Apenas a permanência da ausência
A escravidão e dependência incandescente do ser...
Num ápice surge a correlação!
É a sinestesia idolatrada que me consome e que apela por complacência
Aparição num momento ansiado mas aos poucos esquecido
Que surgiste.. como um deus desconhecido e incessante
Dentro do meu sentir pensante
E do meu coração inoperante
Vivi a própria fantasia
Produzindo a existência
Toquei as inóspitas notas
De um momento de carência
Senti o sentir
Pensei o pensar
Fui o ser inexistente
E num ápice de contente
Deixei de o conter por sentir o pensar
Enquanto tentava amar...
Foi a utopia realizada
O oxímoro coerente
A fantasia convalescente
A proclamação por Epicuro e Zenão contrariada
Por isso nomeei de algo previsível
Personagem nas cinzas criada
Ansiando a chegada do império espiritual...
O anjo caído por muitas mãos
Repartido e em folhas expresso
Com um nome mudo e cansado
Com o tédio em si infiltrado
Sentindo a presença do inesperado
E esperando a incoerência do processo.
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