As quatro paredes do meu quarto-I

O meu quarto continua a ter a minha presença, mas ainda sente a falta de almas alheias, carregadas de mim e de si mesmas. Hoje sem nada a dizer, sem nada a sentir, transcrevo as palavras de um alguém muito especial :)

"Segredos são beijos ternos que suavemente se segredam ao ouvido a quem nós queremos que nos conheçam e nos amem...
Poemas são o mar da vida que derramamos no papel,
como a onda que beija a praia em que
nos confessa seus amores em cada maré.
E como o oceano vivemos entre algumas
tempestades e calmia , seremos felizes portanto
apenas por navegar , porque só quando chove
e faz sol vemos o arco-irís feito muitas vezes
com a água das nossas próprias lagrimas e com
o brilho do sol que todos trazemos na alma..."

Carlos (O Cantinho dos segredos)

Let the demons decide my faith

Vou-me ausentar.. talvez uns dias, talvez umas horas, talvez para sempre. Começo a ver o sonho a cair, é ingrato ter consciencia do nosso esforço para conseguir um nada.. um mero número que me agonia e mata. Talvez fosse bom que matasse de vez. Dei o meu melhor, sei perfeitamente isso mesmo, e mais que isso sou cobrada pela minha incompetência, que para mim nem sequer o foi.

Recuso-me a desistir.

Queria amarrar-te e fazer-te sofrer tanto que desejasses mais que tudo que eu te matasse. Ao fim ao cabo seria uma forma de te aperceberes que querias viver, pois eu não te mataria. Nunca...

O Incessante

Escravidão que em minha alma penetra
Que suga as minhas profecias e cabalismos
Que vive... e deixa viver...
Cantando a imprevisibilidade repleta
De contradições de ser

És tu quem me canta a nova esperança negra!
A luz deixou de encher..
Assim como o negrume exaltado que me atormentava enfrentado
Apenas a permanência da ausência
A escravidão e dependência incandescente do ser...

Num ápice surge a correlação!
É a sinestesia idolatrada que me consome e que apela por complacência
Aparição num momento ansiado mas aos poucos esquecido
Que surgiste.. como um deus desconhecido e incessante
Dentro do meu sentir pensante
E do meu coração inoperante

Vivi a própria fantasia
Produzindo a existência
Toquei as inóspitas notas
De um momento de carência

Senti o sentir
Pensei o pensar
Fui o ser inexistente
E num ápice de contente
Deixei de o conter por sentir o pensar
Enquanto tentava amar...

Foi a utopia realizada
O oxímoro coerente
A fantasia convalescente
A proclamação por Epicuro e Zenão contrariada

Por isso nomeei de algo previsível
Personagem nas cinzas criada
Ansiando a chegada do império espiritual...

O anjo caído por muitas mãos
Repartido e em folhas expresso
Com um nome mudo e cansado
Com o tédio em si infiltrado
Sentindo a presença do inesperado
E esperando a incoerência do processo.

Mea Setencia

Enquanto todos se ocupam com o que acontece, eu tento sentir-me. As minhas vestes arcaicas, vestidos longos, arqueados, sobriamente coloridos, belos, para mim já não são nada, já que me escondo nelas.

Hoje o céu chama-me.Talvez por não dar importância à minha capa e me deixar voar para onde nunca tivera palpado. Apesar de olhar para uma escadaria vazia e pela escuridão embriagada, senti a presença de quem descia a mesma, fumando a sua cigarrette per guisa de superioridade. O meu corpo estava visível, contudo, foi trespassado pelo tal ser que nem o era... Seria talvez o 5º império. A seu lado descia o acessível, que por tal me deslumbrou e me agarrou a mão. In speciem iguais, mas a típica insatisfação humana acelerou a máquina do tempo, trazendo consigo as diferenças.

De que vale a presença de um previsível, se no fundo o que se ambiciona é o Ignoto Deo, que avança e trespassa? Talvez fosse eu tal deo, talvez fosse apenas o meu espelho tentando mostrar de novo que poderei ser Sísifo.

Omnia mutantur, nos et mutamur in illis

O tempo caiu sobre minh'alma. Regressou um silêncio aterrador: onde outrora se encontravam crises de valores, encontram-se pathos e flores. Vagueava por entre a multidão, como que se imagem volátil fosse, sendo em jeito de fatum umas vezes chamada pelo céu e outras nem tanto. Preferi analisar o que se encontrava à minha volta para me desiludir. Pessoas corriam desenfreadmente para locais de evasão, como que se a indústria os tivesse ensurdecido de modo subtil, encoberto pela atitude finissecular que assombrava o tédio subjacente. A contrario sensu, hoje vi que quem corria para a evasão procurava o tédio, a podridão e a cegueira alheia, para que se deixasse contagiar e consequentemente ensurdecer.

De que me vale ser da nobreza, se tenho de suportar a intelectualmente plebe, que não passa de uma censura moderna, que se debate para matar uma fome cumulativa?

Estou cega, mas quero curar-me através da escrita intemporal: nuns dias posso ser capitalista, noutros feudal.

Inquietude

Olho para uma folha em branco e tenho de a escrever.
Não suporto ver cadernos cheios de nada e canetas por utilizar.
Simplesmente não aguento.

Assim como uma música não existe sem as suas notas e tempos,
eu não existo sem isto:
sem palavras com as quais me possa comunicar,
nem este sentimento de plenitude no que escrevo.

Por vezes,
não gosto do que escrevo.
Mas muito menos de emendar.
É o sentimento que é por fim posto em algo real
e não tão inalcançável como dantes...

A utopia realizada...

O abraço

Se o ar gélido por entre granitos me raspa a face como mil lâminas congénitas, numa simbiose perfeita com a escuridão que traz consigo a total nudez, está o cenário montado para que o negro caia sobre o verde e torne as árvores uma massa disforme e mutativa, ao substituir a dimensão da profundidade pela da fantasia. De cada ramo uma serpente ondula, de cada seara o movimento espanta, e, todos os barulhos estranhos que se juntam num coro, de cada som a familiaridade do silêncio; heis senão quando um outro Mundo é descoberto. A primeira estrela traz um convite à solidão, e gratamente o Ser aceita em seu nome. Invocando-a, as portas que se abrem são sempre as que conduzem ao Abismo de si mesma. Por uma vez, o corpo deambula por seus próprios meios, e a mente explora as Ideias que dançam por cima da consciência. Numa sucessão de Momentos, cada um construído de introspecção, até o medo encontra barreiras interiores a cada recanto escuro e cada vazio que, no susto, só desilude por não saltar de si e concretizar o inesperado.
Parece a Lua dar o exemplo: só, constantemente no canto de cada retrato escuro, brilha mais porque encontra um caminho por si própria ao ser o único astro relevante no céu, e Viver a sua condição orgulhosamente. De dia, o Sol que crie, que mostre, que revele! A Lua sabe abraçar a Noite, porque sabe como ninguém que só a falta de luz nos pode aproximar do Infinito, ao abrir caminhos inexplorados entre nós e nós mesmos...

let me stay away...

Ouço uma música no fundo,mas não me revejo nela. É apenas o meu coração que o faz sem que eu o ordene...Choro neste silêncio que é meu, pois odeio-me. Sou imperfeita, e exijo a perfeição, tornando-me portanto cruel. Mas que será isto que me atormenta? Queria que existisse um mundo onde fossemos todos iguais, como uma espécie de doutrina do pangermanismo onde não existisse o bonito e o feio, o bem e o mal, o amor e o ódio. Queria viver num conto de fadas em que a vida não fosse cheia de indecisão e transtorno causada por coisas que nos transcendem.

Vivo algo que me da vontade de auto-mutilar, de cortar os pulsos, de beber o meu próprio sangue e cuspi-lo de seguida, devido à ausência de pureza que nele tenho. Tenho consciência da minha felicidade, mas algo me perturba: estou dependente de mim como se eu fosse um ser independente que me molda como uma marioneta. Estou como Campos: o sentir traz-me sensações sadomasoquistas. Quero trincar os meus lábios ate eles incharem e rasgarem, quero matar com a minha arma escondida, quero esquecer o que me afronta com a dor física. Mas merda, sou lúcida!

(repost corrigido)

O que se sente e o que se deixa sentir

Sinto a controvérsia
De uma desordem interior
Que outrora me assolava
Mas presentemente não.

Canto a malevolência de uma sinestesia algoz
Porém bajulada
Quem num dia me vituperou
Mas presentemente não.

Que será exacto?
Apelidar de engrandecimento,
Ou apenas de consentimento
De um sentir
adaptado a intelectualizações forçadas?

Foi a plenitude do rio que amotinava
E que antitéticamente se dividia
Mas presentemente não.

Hoje o meu rio cessou
A minha dádiva foi desvanecida por tal ser inerente
E ao contraditar o correcto,
orgulho a falta de margens.
Pois bebo de onde ninguém sente
Sustentando a lucidez, clareza e cristalização de uma falta de Fado.
Que já não me atormenta presentemente.

Ingiro dessa torrente
Que apesar de escassa e duvidosa
Consegui torna-la para mim imprescindível
E para os outros preciosa.

Existencialismo(excerto de Morte Vivida, cap 4)

Este remeter para a questão de rótulos e conceitos fez-me estremecer de riso. Este ser que nem sequer o é não gosta de ter rótulos e diz que é ele próprio. Peço desculpa senhor Deshiav... só o seu nome já é um rótulo. Essa questão é chamada de intelectualização do sentimento e consequente transposição para a linguagem.
- Em que pensas tu minha intrigante apotegma? Existencialismo fascina-te?- questionou-a sem complacência.
- Sim.... especialmente após a tua expressão... Os conceitos.. ou lá como tu os chamas são necessários... o Homem é um ser gregário! Precisa de viver em conformidade como ambiente que o rodeia... se todos tivessem a mesma denominação iria ser impossível viver em sociedade.. e o existencialismo passaria a ser um vírus...Assim como na religião de hoje em dia, apareceriam satânicos do existencialismo, na medida em que o satanismo é uma paradoxal religião...
- O existencialismo continuaria a existir na mesma como a religião. Dou-te o exemplo de um fascinante conceito.. utopia. O que é uma utopia? É uma verdade axiomática?
- Não! Uma utopia é exactamente o contrário, é a designação do que não poderá existir!- A sua indignação transportou Deshiav para um interrogatório fugaz e cruel.
- Então explica-me o teu venerado existencialismo aqui... não crês no “livre-arbítrio”? a escolha não é o maior poder sobre tudo? Não é esse mesmo poder que está em todo o segundo que corre.. e que se deixasse de correr era derivado de uma escolha também? Podes escolher a utopia? Não a queres escolher? Sim queres.. o teu maior sonho.. estar com um vampiro para o explorar e o desentediar, mostrado-lhe que existe uma vida lá fora que pede pelo seu esforço, que o mundo gira por sangue novo assim como o tal ser vampírico?
- Mas nesse caso já não é utopia.. é real! Eu estou aqui não estou?
- Pensas que estás.. como podes tu provar que não passa de um simples sonho?
- Porque o sinto, porque tenho provas, porque fotografei-te enquanto falavas e te auto-regulavas!
- Mesmo que gravasses as conversas! Mesmo que isto fosse uma videoconferência transmitida em directo para todo o mundo! O cepticismo iria ser majoritário, e vivendo tu pelos outros, e segundo a tua adaptação de teoria existencialista isto não seria nada.
- Seria sim, porque eu sabia que era verdade, porque o vivo, porque me recordaria para sempre desses momentos.
- E se to fizessem crer que não passava de imaginação? Esta nossa conversa deixaria de existir? Não, porque eu a vivi, e porque em mim ninguém pode crer, porque eu nem sequer sou um vampiro.
- Não?
- Eu não me posso auto-rotular de nada se a humanidade não crê na minha existência.. sou uma utopia! Sou o nada que é nada!
- Então tu também és um existencialista satânico...
- Nem isso! Não sou nada!- afirmou como um convalescente.
- “Cogito ergo sun”
- Então esquece o existencialismo.- disse com um ar irónico e confiante, como se os seus movimentos fossem lentos e estudados ao pormenor.

Antinomia de mais um

Hoje exumei o âmago da poesia...
Inundada por um rio cujas margens derrogam ideias.
Assombrando as noites de quem escreveu,
Mas apaziguando o coração
Num processo de dissertação
Que um pensar alheio cometeu.

Per guisa de crença
Que torna a existência mais complacente.
Uma multidão alienante,
trespassando a vida como um objecto cruciante.
Para confinar tal efémera gota
E apelar a um charco de sangue.

É um masoquismo idolatrado,
Um sentimento intelectuado...
Estoicismo pendente
Qual Epicuro contrariado.
saí daqui, para bem longe.
Fugi assim, para muito longe.

fiz-me à estrada ao amanhecer
à deriva sem nada a perder

fui embalada ao sabor do vento
deixei perder as horas do tempo.
As memorias ficaram por contar
nas tristezas n kero tocar,

o horizonte acaba ali,
e a nascente jamais a vi.

sou mais uma sonhadora


Nada



Aqui estou eu a fazer nada,
Na esperança que este nada,
Se mude para nada…
Que eu não goste.

Estou sentado, a escrever esperando que as palavras me surjam…
E elas vão surgindo.
Umas vezes mais outras menos…

Mas por não estar a fazer nada
Nada, não sei o que hei-de fazer.

Já repararam as vezes em que estamos a fazer nada sem nada poder …



Estamos sentados com um grupo de amigos animado:
Olhamos para este e para aquele lado,
Um fala,
Um ri,
Um conta a piada mais recente que aprendeu…
E nós ali…
A ouvir….
Sem nos aperceber-mos que estamos a deixar passar a vida ao lado.

Ela vai do outro lado da rua,
E que fazemos nós?
Nem olhamos…

Somos ignorantes…
Tristes..
Parvos em não olhar todos os dias para a nossa vida que passa…

Preferimos não fazer nada… desistir…
E é assim que eu me sinto
Pronto a desistir de tudo…
Deus fez-me de todas as maneiras que eu não posso ser…

Não tenho a coragem de conseguir dizer ao mundo que estou aqui
Que sou assim…
De afirmar os meus valores…

Fico especado,
Só, triste, abandonado… chateado, feliz irritado. Sem saber o que fazer.
Porque estou parado
Sentado, obcecado… porque nada é o que eu sei fazer.

DeFacto




just.. i love U
TOU FDDA

ja em sei pk.. lol

lol yah incubus........i dont like incubus.. daí me ter eskecido.. bah
Só se fala de RIR... acho que o melhor dia foi mesmo o dia 4, mas por mim, tirava slipknot e punha machine head, mas acho que o balanço final foi positivo...

CIVIC- foram a revelação do dia/noite, o único senão foi a bateria um pco fraca, mas a voz tapou os defeitos...gostei

Moonspell- poderoso... eles viveram mesmo aquilo, notou-se. Na escolha das músicas só acrescentava wolfshade.

Sepultura- gostei, apesar de não ser das minhas bandas preferidas, acho que estiveram bem.

Slipknot- no comments. Para eles foi mais um concerto, mas valia não terem vindo

Metallica- Os cotas tavam possuídos! Tiveram mto bem mesmo, sem parar um segundo, e sem descer a qualidade.

O “metal day” foi onde o ppl mais curtiu. Qual evanescence qual quê! Até os Civic são melhores!