O lago dos cisnes

  

Meu palco de madeira, não sei que é isto que me rodeia.. ouço valsa num tom longínquo que me faz voar. Na altura em que me consigo libertar daquela espécie de jetlag per guisa de brisa cortante, o meu corpo move-se com graciosidade ao ritmo da valsa de  Tchaikovsky. À minha frente estão centenas de pessoas que assistem a cada movimento meu, como que avaliadores natos dos erros que possa cometer. A cada nota, a minha elasticidade é notada, movo-me, rodopio, mais e mais...Difíceis sequências de passos clássicos de ballet assemelham-se a uma arquitectura dançada. Sou um edifício volátil que trás nas suas pontas a beleza do mundo, e por tal me denominaram Odette. Apenas a morte me trará a paz , daí a razão de o rio ser a meta do meu amor por Siegfried. Estico as minhas vértebras, contradigo a gravidade, saboreando cada nota e cada toque subtil de violino.
 
Os holofotes deixam de me ofuscar com o seu poder e a sala está vazia. Transformo-me num calendário inútil e banal.
 
20 de Novembro de 1976,  Paris.

2 comentários:

Anónimo disse...

posso?! intrometer-me aqui nesta janelinha... que tem como missão deixar escrever o que pensamos destas tuas palavras?... ~faço-o com orgulho. de teconhecer de algum modo e ter o privilégio de te ler todos os dias. e não, não se tratam de elogios fáceis. mas merecidos. no teu caso bem mereceidos. tudo tão sentido. puro. isso. puro. gostei muuuuito.

(mylostwords)

= )

Anónimo disse...

HELLO! I want to speak love to coments...

Kiss I love PARIS