Complacência

               

                
   Da minha boca apenas saem canções que sempre ouço quando me quero integrar no que me rodeia. Vejo uma folhinha caída e por tal instinto tento agarra-la, mas não consigo, pois não tenho braços para o poder fazer. É nestas alturas que gostava de ser como todos os outros, apesar de todos dizerem que o sou. Enquanto todos se preocupam em ser diferentes, eu apenas quero ser eu, dentro dos possíveis. A minha língua ainda não se habituou ao manjar que sou obrigada a engolir, como que palavras que nunca mais voltara a repetir.
   O meu corpo moribundo...
   Queria nadar, mas não consigo. Queria correr, mas apenas me limito a dar três passos de seguida. Agora, o meu corpo louro sandré apenas me deixa pensar e voar.
   No horizonte observo um peixe que vive por entre o líquido, e rio-me. Abro as minhas asas e voo até ele, estralhaçando-o com as minhas garras e deglutindo-o com prazer. 
 



3 comentários:

AF disse...

gostei da forma como está escrito e imaginado este texto.

Anónimo disse...

Sê apenas quem és naturalmente, adoro-te por isso

Edu @@@@@@@@@@@@

mylostwords disse...

cabalístico... ;) e sim... sê quem és assim.. sem prestares contas a ninguém. apenas sê quem és e quem sempre foste. com todos os obstáculos reais ou imaginados como no texto. tu és assim forte e muito mais intrínseca a ti mesma.

(mylostwords)